“O Irão enfrenta uma escolha muito clara, com apenas dois caminhos possíveis: o isolamento total e uma economia de subsistência, ou um regresso à normalidade, com a oportunidade de se reintegrar na economia global”, advertiu Bessent numa conferência de imprensa destinada a apresentar um novo pacote de sanções de Washington a Teerão.
Além disso, o governante avisou também que os Estados que permitirem que entidades suas “facilitem o branqueamento de capitais em nome do Irão” serão “expulsos do sistema do dólar”, acrescentando que “a contagem decrescente começou”.
De forma mais ampla, Bessent advertiu de que os países que não participarem nas sanções norte-americanas “partilharão o isolamento do Irão”, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter no fim de semana apelado a vários países para se juntarem à sua “guerra económica” à República Islâmica.
Segundo o secretário do Tesouro, a nova ronda de sanções dos Estados Unidos ao Irão visará setores considerados “vitais” para Teerão, entre os quais o ouro, os ativos digitais e o transporte marítimo.
“As novas decisões sobre sanções setoriais hoje divulgadas visam cinco dos setores vitais do Irão, com os quais o país lucra no estrangeiro: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo”, enumerou o responsável, alertando de que haverá “uma aceleração” de processos contra “qualquer pessoa suficientemente imprudente” para negociar com o Irão.
Questionado sobre se a China também poderá ser afetada por estas ameaças, Bessent afirmou que “ninguém está fora do alcance das sanções norte-americanas”.
“Responsabilizaremos todos. Isto significa o estrangulamento económico deste regime. Ninguém deve testar a nossa determinação” nesta matéria, acrescentou.
A China, parceira económica estratégica do Irão, criticou esta iniciativa, argumentando que “as sanções e a pressão” norte-americanas não contribuirão para resolver o conflito no Médio Oriente.
Teerão, por sua vez, afirmou que “haverá consequências” para os países que aderirem à campanha de pressão económica norte-americana, considerando estas medidas uma “admissão de derrota” por parte de Washington.
Hoje, na sua rede social, Truth Social, Trump afirmou que o Irão “está a entrar em colapso total”.
“O Presidente ligou aos líderes mundiais com um pedido expresso para que pusessem fim às suas interações com o regime [teocrático iraniano]. E já estamos a ver os resultados”, assegurou hoje Scott Bessent.
Na próxima sexta-feira, completam-se seis meses desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, a 28 de fevereiro, um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
O memorando de entendimento que proporcionou uma trégua temporária na guerra expirou, e não estão em curso negociações concretas para pôr fim ao conflito, mantendo Teerão o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial e uma elevada percentagem de fertilizantes necessários ao cultivo de alimentos para a população mundial, ao passo que Washington impede a passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.
[Notícia atualizada às 19h48]
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