Cálculos do jornal britânico indicam que as emissões nos mercados de obrigações ‘dim sum’ e ‘panda’ já ultrapassaram o total registado em 2025, que tinha sido também um máximo histórico.
As obrigações ‘dim sum’ são títulos denominados na moeda chinesa, o yuan, emitidos fora da China continental, sobretudo em Hong Kong, enquanto as obrigações ‘panda’ são emitidas no mercado da China continental por entidades estrangeiras.
O crescimento destes mercados tem sido incentivado pelas autoridades chinesas, numa altura em que Pequim procura ampliar a utilização internacional da moeda chinesa e reduzir a dependência do dólar e do sistema financeiro norte-americano.
O recurso ao yuan tornou-se particularmente atrativo devido à crescente diferença entre os custos de financiamento na China e nos Estados Unidos.
A dívida pública chinesa a 10 anos oferece atualmente uma rendibilidade de cerca de 1,68%, contra 4,78% dos títulos do Tesouro norte-americano com maturidade equivalente, uma diferença próxima de máximos históricos.
As emissões de obrigações ‘dim sum’ atingiram 786,3 mil milhões de yuan (cerca de cem mil milhões de euros) desde o início do ano, superando já o recorde anual de 2025.
No mercado de obrigações ‘panda’, as emissões ascenderam a 231,6 mil milhões de yuan (29,6 mil milhões de euros), também acima de qualquer total anual anteriormente registado.
As empresas chinesas representam quase dois terços das emissões de obrigações ‘dim sum’ este ano e podem utilizar os fundos obtidos para financiar operações no estrangeiro.
O aumento das emissões foi ainda favorecido pela decisão das autoridades chinesas de elevar, durante o verão, o montante que os investidores da China continental podem aplicar em Hong Kong através do mecanismo Bond Connect.
Empresas como a tecnológica chinesa Tencent emitiram este ano obrigações ‘dim sum’ com maturidades de 10 e 30 anos.
O crescimento do mercado beneficia ainda do elevado volume de poupanças na China e da escassez de alternativas de investimento com rendibilidades atrativas.
Em julho, os novos empréstimos bancários diminuíram em 340 mil milhões de yuan (43,6 mil milhões de euros), a maior queda mensal desde que há registos, num contexto de fraca procura por crédito.
Segundo dados da plataforma financeira Wind, as obrigações ‘panda’ emitidas este ano oferecem uma rendibilidade média ponderada de 1,85%, acima dos cerca de 1,7% proporcionados pela dívida soberana chinesa a 10 anos.
Apesar do rápido crescimento, este tipo de dívida continua a representar uma pequena parcela do mercado obrigacionista chinês. As obrigações ‘panda’ correspondem a apenas 0,25% do total.
Países como Indonésia, Eslovénia, Paquistão e Cazaquistão recorreram ao mercado ‘panda’ no último ano, embora o crescimento das emissões seja sobretudo impulsionado por bancos chineses e estrangeiros.
No final de agosto, o banco suíço UBS captou dois mil milhões de yuan (256 milhões de euros) na sua primeira emissão de obrigações ‘panda’, com maturidade de cinco anos e um cupão de 1,78%.
O banco de investimento norte-americano Goldman Sachs emitiu 61,5 mil milhões de yuan (7,8 mil milhões de euros) em obrigações ‘dim sum’ desde o início do ano.
Os bancos estrangeiros convertem habitualmente os fundos captados em yuan noutras moedas importantes, utilizando-os depois para financiar as operações globais, apontou o FT.
As grandes multinacionais continuam, porém, menos presentes nestes mercados, em parte devido à dimensão relativamente reduzida das emissões.
Apesar do crescimento do financiamento em yuan no estrangeiro e da maior utilização da moeda chinesa no financiamento do comércio, o peso do yuan no sistema financeiro mundial, nomeadamente enquanto moeda de reserva, continua limitado, acrescentou o jornal.
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