A audição regimental na Assembleia da República tem como objetivo fazer um balanço e prestar esclarecimentos aos deputados sobre as políticas do ministério, mas Luís Neves deverá ser confrontado com perguntas dos deputados sobre as polémicas que têm surgido nos últimos quase dois meses.
O ministro da Administração Interna é ouvido na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades no mesmo dia e antes do debate e votação da moção de censura do Chega ao Governo, que tem já chumbo garantido.
Luís Neves, que começa a ser ouvido no Parlamento às 10h00, cinco horas antes do debate da moção de censura, afirmou na semana passada que estará disponível para “responder a qualquer questão” do líder do Chega, André Ventura, no debate regimental.
O ministro e o Governo estão sob pressão há quase dois meses, desde que foi noticiado pelo jornal Nascer do Sol as suspeitas de irregularidades em obras a título privado numa propriedade do ministro em Odemira, nomeadamente no que diz respeito à construção de uma piscina, feitas por um empreiteiro amigo de Neves e que por 17 vezes ganhou contratos de empreitadas para obras na PJ.
Seguiram-se notícias sobre a entrega ao mesmo empreiteiro, João Carvalho, dono da Construbarcelos, de um atrelado apreendido pela PJ na ‘Operação Pacoba’, contra o tráfico de droga, ficando à guarda deste empreiteiro com bidões com químicos no seu interior, os quais Luís Neves disse não terem sido destruídos devido ao elevado custo que isso acarretava e que a PJ não tinha verbas para comportar.
Luís Neves viu ainda serem levantadas dúvidas sobre não ter entregue à Entidade para a Transparência e ao Tribunal Constitucional as suas declarações de património enquanto liderou a PJ, uma obrigação para todos os detentores de cargos públicos.

Das polémicas à moção de censura: Todos os capítulos da novela Luís Neves
Chega decidiu mesmo avançar com uma moção de censura ao Governo, em protesto contra o ministro da Administração Interna. Moção será discutida dia 8 de setembro, data em que Luís Neves se tinha disponibilizado para responder às questões de André Ventura no Parlamento.
Andrea Pinto | 09:00 – 04/09/2026
Mais recentemente, foi noticiado que Luís Neves conduz um carro apreendido judicialmente no processo que condenou Ruben Oliveira, conhecido por ‘Xuxas’, a 20 anos de prisão por tráfico de droga, algo que o ministro defendeu em declarações na Madeira, durante uma cerimónia da PSP, ter enquadramento legal.

Do veículo apreendido aos carros da mulher: Pressão aumenta sobre MAI
Depois de ter vindo a público que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, estaria a fazer uso de um carro apreendido pela PJ em regime de comodato, agora surge também a história de que não terá declarado os dois carros de que é cotitular com a mulher à Entidade para a Transparência (EpT). As mais recentes polémicas, numa longa lista, já motivaram críticas no panorama político.
Notícias ao Minuto | 22:42 – 21/08/2026
O caso do atrelado, do carro apreendido e das obras em Odemira estão a ser alvo de investigação por parte do Ministério Público, tendo os dois primeiros processos um caráter urgente.
Estão ainda a decorrer uma investigação às obras em Odemira no Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Beja e um processo no Tribunal de Contas (TdC) relativo a uma contraordenação que resultou de um relatório datado de 2023 quando estava à frente da PJ.

Caso MAI: Processos “não estiveram parados”. Despacho? “Não há previsão”
O Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, disse esta quinta-feira que, no âmbito dos casos que envolvem Luís Neves, os do atrelado e das construções foram considerados como mais urgentes e que por isso “não estiveram parados”. A mesma coisa acontecerá com o caso da alegada invasão ao gabinete de André Ventura.
Ana Teresa Banha, Lusa | 16:30 – 03/09/2026



