Sobre a intenção do Ministério do Interior espanhol de alargar a Melilla as barreiras marítimas instaladas em Ceuta, a segunda vice-presidente e porta-voz da Cidade Autónoma vizinha de Marrocos, Fadela Mohatar, deixou hoje dúvidas sobre a eficácia da medida se, “de repente, entrar uma avalanche de 60, 70 ou 80 mil pessoas” no perímetro do enclave.
A medida foi anunciada como forma de permitir afastar migrantes ilegais através da fronteira sem violar a decisão do Supremo Tribunal espanhol que limita as expulsões.
Em conferência de imprensa, Mohatar considerou o sucedido em Ceuta “uma terrível tragédia humanitária devido ao número de mortes” e reiterou a queixa “amarga” do governo de Melilla sobre a resposta “tardia e insuficiente” do governo espanhol, que “revela uma falha nas suas políticas migratórias”.
Os ministérios competentes “estavam cientes destes números” e o presidente de Ceuta vinha “alertando veementemente para isso desde a semana anterior, quando 200 pessoas atravessavam a nado todos os dias”, adiantou Mohatar.
“Como é possível que isto tenha continuado e que não tenha havido qualquer reação a todas as provas esmagadoras que Ceuta vinha enfrentando nos dias que antecederam o sucedido?”, questionou Mohatar, para quem o governo deveria ter acatado o projeto de lei apresentado pelo PP (centro-direita) logo após a decisão do Supremo, que permitia também a rejeição de imigrantes no mar.
Em relação ao aumento do número de crianças migrantes acolhidas na cidade, a porta-voz instou o governo de Pedro Sanchez a aumentar os investimentos em Ceuta e Melilla para cuidados infantis “e, no mínimo, cumprir as normas” que Madrid “impôs a este respeito”, segundo as quais a cidade norte-africana não deveria acolher mais de 84 crianças, quando atualmente acolhe quatro vezes mais.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em 24 horas na semana passada e 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados atualizados pelas autoridades de Espanha.
Pelo menos 75 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
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