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Mundo
Margarete “Gretel” von Holst
A candidata do pequeno partido Bündnis C tem na mesa uvas, biscoitos e ursinhos de goma da uma marca alemã. Vive sozinha, mas uma das paredes da sala da candidata mais velha destas eleições em está coberta de fotografias de familiares e amigos.
“Vivo sozinha, mas não me sinto nada sozinha. Tenho muitos conhecidos na cidade, boa vizinhança, sou feliz”, começa por contar à Lusa a candidata de 89 anos.
É a segunda vez que concorre a eleições regionais: nas últimas, há cinco anos, também foi a candidata mais velha. Confessa que vê o processo como uma missão.
“Quero que as pessoas conheçam o Bündnis C e que muitos votem em nós. Sou conhecida na cidade e ainda prego, ainda falo com muitas pessoas”, partilha, com um sorriso.
O partido apresenta-se como cristão-conservador e coloca a família no centro do programa.
Para Gretel von Holst, “a família é a semente de toda a política”.
Defende que os pais possam ficar em casa com os filhos nos primeiros anos de vida e receber um apoio financeiro do Estado, em vez de este assumir todos os custos da educação infantil. É também contra conteúdos que considera demasiado precoces sobre sexualidade e género nas escolas e jardins de infância.
“O meu principal objetivo é levar as pessoas a Jesus”, sublinha. Aos 89 anos, continua a pregar, organiza estudos bíblicos em casa e acompanha dois grupos de idosos.
Von Holst nasceu em Reval, atual Tallinn, e chegou à Alemanha ainda criança, como refugiada. Queria ser missionária, mas não pôde seguir esse caminho durante a Alemanha Oriental.
Mais tarde tornou-se pastora e, depois de se reformar, continuou ligada à igreja. Foi ordenada em 1981 e reformou-se em 1998.
Sobre a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido classificado como de direita radical por analistas e autoridades alemãs, admite não compreender completamente a força política.
“Há muitas coisas boas que dizem. Não sei se são realmente tão de extrema-direita como se diz (…) É preciso aceitar o que é bom e deixar de lado o que é mau”, aponta.
“A forma como falamos uns com os outros na política é muito má”, lamenta.
Entre as suas posições está ainda uma forte oposição ao aborto e uma defesa do ensino cristão nas escolas.
Sublinha ser, tal como partido, “muito a favor de Israel e contra todo o antissemitismo”. Na sua opinião, “as notícias sobre Israel são muitas vezes tão negativas que acabam por alimentar o antissemitismo”.
Nas eleições de 2021, o Bündnis C obteve 0,1% dos votos em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Nesta eleição, von Holst ocupa o quinto lugar da lista do partido.
“Aos 89 anos ainda tenho energia. Já não distribuo tantos panfletos como antes, porque somos um partido muito pequeno e eu também já não faço assim tanta coisa (…) Ainda consigo trabalhar, ainda consigo fazer coisas e tenho boa saúde”, partilha.
No andar de cima vive a sobrinha, que ajuda com a comida e a limpeza. À entrada do prédio, há flores numa jarra para “dar colorido”. No chão, vários chinelos preparados para receber visitas.
“Tenho aqui pessoas que vêm jogar comigo. É quase como uma família”, conta, satisfeita.
As eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha, estão marcadas para este domingo, 20 de setembro.
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