O estudo, que envolveu 100 entidades de vários setores e dimensões, conclui que a transição energética é uma prioridade para mais de 80% das organizações, embora apenas 69% tenham realizado investimentos efetivos nos últimos três anos, de acordo com o estudo divulgado hoje.
De acordo com o RAISE – projeto cofinanciado pelo programa LIFE-CET da Comissão Europeia – esta diferença é particularmente visível em microempresas e entidades sem fins lucrativos, “que enfrentam maiores dificuldades por limitações de escala e recurso”.
O capital próprio continua a ser a principal fonte de financiamento, sendo utilizado por 81% das entidades, sobretudo em projetos de pequena escala, inferiores a 50 mil euros. Ainda assim, o estudo identifica uma tendência futura para a diversificação das fontes de financiamento, com maior interesse em linhas de crédito dedicadas e fundos públicos.
As áreas tradicionais de investimento, como eficiência energética, energias renováveis e mobilidade elétrica, começam a ser acompanhadas por tecnologias emergentes, incluindo armazenamento de energia e digitalização. No futuro, 71% das entidades admitem investir em pelo menos três áreas da transição energética.
Além do excesso de burocracia, referido por 64% das entidades, a morosidade na aprovação de projetos, apontada por 51%, surge entre os principais entraves ao investimento.
O estudo identifica ainda um “acentuado défice de literacia de fontes de financiamento alternativas, dado que 74% das entidades desconhecem, ou não utilizam, opções de financiamento alternativas, como modelos ESCO, comunidades de energia renovável ou crowdfunding”.
No curto e médio prazo, o acesso a financiamento e a falta de mão-de-obra qualificada são apontados como os desafios mais críticos para as organizações portuguesas, acrescentam.
O RAISE-PT é um projeto cofinanciado pelo programa LIFE-CET da Comissão Europeia, com o objetivo de identificar e superar barreiras ao investimento necessário para a transição energética em Portugal. Coordenado pela The Equator Company, antiga S317 Consulting, o consórcio integra o BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável -, a DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor e a RNAE — Associação das Agências de Energia e Ambiente.
O administrador executivo da The Equator Company, Filipe de Morais Vasconcelos, afirmou que “a Europa comprometeu-se a ser o primeiro continente neutro em carbono até 2050” e que, “para passar desta ambição à realidade, é necessário um sólido investimento em energia sustentável”.
O responsável considerou que o estudo pretende ser uma “bússola estratégica” para o setor privado e para o setor público, defendendo que os dados mostram “a necessidade urgente de uma simplificação administrativa, da redução da carga burocrática e os tempos de resposta”.
A secretária-geral do BCSD Portugal, Filipa Pantaleão, destacou “a centralidade da colaboração” como um dos sinais mais fortes do estudo, sublinhando o potencial de projetos desenvolvidos em parceria para “gerar escala, reduzir risco e acelerar a inovação”.
A diretora-geral da DECO, Ana Tapadinhas, salientou “o contributo do projeto RAISE para os cidadãos”, defendendo que a transição energética “só será verdadeiramente bem-sucedida se colocar os consumidores no centro das soluções”.
Por sua vez, o presidente da RNAE, Carlos Santos, considerou que “a transição energética acelera quando unimos territórios, investimento e conhecimento na mesma rede de ação”, acrescentando que importa “garantir que as soluções chegam ao terreno, onde a transição verdadeiramente acontece”.
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