“Nós estamos muito seguros que isso é resultado do acordo”, afirmou, em entrevista à Lusa, Laudemir Müller, à margem de um evento, na cidade amazónica de Manaus, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), para reforçar o debate sobre as oportunidades do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.
De janeiro a julho deste ano, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 11%, para 31.590 milhões de dólares (27.309 milhões de euros), enquanto as importações aumentaram ligeiramente para 0,7%, totalizando 29.280 milhões de dólares 25.310 milhões de euros).
Em todo o ano de 2025, as exportações de produtos brasileiros para a União Europeia somaram 49.810 milhões de dólares (43.060 milhões de euros) e as importações totalizaram 50.290 milhões de dólares (43.475 milhões de euros).
Müller destacou que a redução das tarifas está a produzir efeitos não apenas nas vendas de produtos que passaram a ter acesso ao mercado europeu sem direitos aduaneiros, mas também nas exportações abrangidas por quotas e naquelas que não sofreram alterações tarifárias.
“Os 5.000 produtos que foram para a tarifa zero aumentaram 47% e mesmo os produtos que não tiveram uma mudança tarifária também aumentaram 10%”, enfatizou, à Lusa o presidente da ApexBrasil.
“Então o acordo também traz um novo ambiente de negócios. Melhora o ambiente de negócios”, afirmou.
O desempenho comercial ganhou particular força após a entrada em vigor provisória do acordo, em 01 de maio, com as exportações brasileiras para a UE a totalizarem 14.691 milhões de dólares (12.704 milhões de euros) entre maio e julho, mais 17,2% do que os 12.535 milhões registados no mesmo período de 2025.
Entre os produtos que registaram maior crescimento após a entrada em vigor provisória do acordo estão o óleo essencial de laranja, cujas exportações aumentaram 88%, o óleo de milho em bruto, com uma subida de 859%, e as partes de turborreatores, que cresceram 91%.
Também se destacaram as exportações de aviões de mais de 15 toneladas, com um aumento de 31%, e de partes de motores diesel, que cresceram 10%.
No caso dos produtos sujeitos a quotas, as vendas de mel natural para a União Europeia aumentaram 270%.
No mesmo período, as importações cresceram 4,5%, para 13.733 milhões de dólares (11.877 milhões de euros), face aos 13.146 milhões de dólares (11.370 milhões de euros) um ano antes, deixando um saldo positivo de cerca de 958 milhões de dólares (827 milhões de euros) para o Brasil.
“O Brasil também está a atrair cada vez mais investimentos”, reforçou o responsável brasileiro.
Além do aumento das trocas comerciais, o presidente da ApexBrasil destacou o impacto do acordo na atração de investimentos, defendendo que a redução de tarifas está a contribuir para uma maior integração das economias brasileira e europeia.
“É muito mais do que só um fluxo de comércio sem tarifas. É uma integração produtiva”, afirmou Müller, apontando investimentos nas áreas da energia, hidrogénio e energias renováveis.
“Enquanto muitos países caminham para aumentar tarifas, fazem conflitos, impõem vontades, o Brasil e a Europa estão a caminhar no sentido da abertura, da redução de tarifa, da negociação”, referiu.
O acordo de comércio livre entre a UE e o Mercosul entrou provisoriamente em vigor em 01 de maio, na sequência de uma decisão adotada pela Comissão Europeia e depois dos parlamentos dos quatro membros fundadores do bloco sul-americano (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) terem ratificado o tratado.
A entrada em vigor plena dependerá da ratificação pelo Parlamento Europeu, que aguarda um parecer do Tribunal de Justiça da UE sobre a compatibilidade do acordo com os tratados comunitários.
O acordo continua a enfrentar resistências em países como a França e a Polónia, grandes produtores agroindustriais, um setor em que os membros do Mercosul são altamente competitivos a nível mundial.
Entretanto, apesar da assinatura do acordo, a Comissão Europeia confirmou, em 20 de maio, a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, na sequência de uma votação dos Estados-membros para atualizar a lista de países terceiros autorizados.
Segundo as regras da UE, não é permitido utilizar antibióticos no gado para aumentar o seu crescimento ou rendimento, nem tratar os animais com antimicrobianos reservados para infeções humanas.
A medida, que entrará em vigor em 03 de setembro, suspende as exportações de carne de aves, bovina e suína, ovos, peixe de aquicultura, mel e equídeos destinados ao consumo humano provenientes do território brasileiro.
Leia Também: Homem detido por agressões à companheira perante filhos em Évora



