O Banco Central Europeu (BCE) aumentou as taxas de juro, o que poderá ter impacto no crédito à habitação com taxa variável, devido ao aumento das taxas Euribor. Nesta situação, o “aconselhamento torna-se ainda mais crítico”, considera João Lemos, diretor de operações do Poupança no Minuto/FinanceFy, uma empresa de intermediários de crédito.
A subida das taxas do BCE terá impacto na prestação da casa para quem tem crédito à habitação com taxa variável, por causa da taxa Euribor – como? A explicação é simples: Quando o BCE sobe as taxas de juro diretoras, as Euribor sobem quase de imediato, o que encarece os créditos com taxa variável nas próximas datas de revisão.
Isto porque a prestação que os proprietários pagam ao banco inclui, além do spread (margem de lucro dos bancos), o indexante, que geralmente é a taxa Euribor a 3, 6 ou 12 meses.
“Para quem tem crédito à habitação com taxa variável, estes números significam revisões em alta da prestação já na próxima atualização do contrato. A taxa de esforço sobe automaticamente, e isso coloca muitas famílias mais próximas dos limites definidos pelo Banco de Portugal. Na nossa atividade enquanto intermediários de crédito, o aconselhamento torna‑se ainda mais crítico“, explicou João Lemos ao Notícias ao Minuto.
Nesta senda, o diretor de operações do Poupança no Minuto/FinanceFy partilhou cinco dicas que que podem ajudar muitas famílias que têm revisão da prestação agendada para os próximos meses:
- Avaliar a passagem para taxa fixa ou mista, para garantir previsibilidade num contexto de taxas crescentes;
- Renegociar condições com o banco, seja através do prazo, do spread ou dos produtos associados;
- Consolidar créditos quando existem encargos pessoais que elevam o DSTI;
- Simular cenários futuros com Euribor mais alta, para evitar surpresas;
- Criar reserva financeira, porque a volatilidade atual exige margem de segurança.
Como estão as Euribor?
A Euribor subiu na terça-feira novamente a três, a seis e a 12 meses, atingindo, nos prazos mais longos, os valores mais altos em cerca de dois anos.
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu, ao ser fixada em 2,946%, mais 0,010 pontos que na segunda-feira e um novo máximo desde outubro de 2024.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a julho indicam que a Euribor a seis meses representava 39,87% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável. Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,26% e 24,40%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também voltou a avançar, para 3,326%, mais 0,014 pontos e um novo máximo desde agosto de 2024. No mesmo sentido, a Euribor a três meses subiu, ao ser fixada em 2,682%, mais 0,018 pontos que na véspera.
A decisão do BCE
Na passada quinta-feira, como esperado pelos mercados, o Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois da manutenção das mesmas em julho.
Em junho, o BCE subiu, pela primeira vez desde setembro de 2023, as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 28 e 29 de outubro em Frankfurt.
Em agosto, a média mensal da Euribor subiu, de novo, a três, a seis e a 12 meses, mas com maior intensidade do que em julho e mais acentuadamente no prazo mais longo. A média mensal da Euribor em agosto subiu 0,088 pontos para 2,513% a três meses e 0,066 pontos percentuais para 2,713% a seis meses. Já a 12 meses, depois de ter baixado em junho, a média mensal da Euribor avançou 0,099 pontos para 2,954%.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
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