A pouco mais de um mês das decisivas eleições intercalares e após um anúncio semelhante na segunda-feira na Sala Oval, sobre uma enorme fábrica de aço no Iowa, Trump deu hoje conta de um investimento de cerca de 54 mil milhões de dólares (47,6 mil milhões de euros) na exportação de gás natural do Alasca, projeto há muito apoiado pelo senador republicano Dan Sullivan, que enfrenta uma reeleição difícil no estado.
Ladeado por Sullivan, Trump afirmou que o senador republicano do Alasca tem a sua «atenção há muito tempo».
“Todos estes projetos energéticos são meus, e concretizei-os trabalhando com Dan Sullivan”, frisou o Presidente republicano, que luta por manter o controlo das duas câmaras do Congresso nas intercalares de novembro.
Segundo anunciado, o investimento pode ascender a 200 mil milhões de dólares (176,5 mil milhões de euros) e decorre de compromissos assumidos no âmbito de um acordo comercial com a Coreia do Sul, que incluía a promessa de 350 mil milhões de dólares em projetos no país em troca da redução das tarifas norte-americanas sobre automóveis, peças automóveis e outros produtos de Seul.
“No nosso acordo comercial com a Coreia do Sul, eles têm de investir centenas de milhares de milhões de dólares”, frisou Trump.
“Para o fazer, reduzi as suas tarifas para 15%. Mas eles pagaram para obter essa redução (…). E parte desse dinheiro está a ser alocado a este projeto”, adiantou.
Sullivan, que está numa disputa eleitoral renhida contra a democrata Mary Peltola, engrandeceu o projeto, apresentando-o como «enorme» para o estado da costa noroeste, vizinho da Rússia.
“O céu é o limite quando concretizarmos este projeto”, afirmou Sullivan sobre o gasoduto de 1.300 quilómetros ligando a região de North Slope, no Alasca, a um terminal de gás natural liquefeito no sul do estado, onde será exportado por navio para a Ásia, principal mercado consumidor.
O projeto gerou críticas — sobretudo por parte dos defensores da biodiversidade — e incertezas quanto à sua execução, devido a problemas de custos e questões de viabilidade económica que dificultaram o seu avanço.
Segundo adiantado pelas autoridades norte-americanas, a construção do gasoduto demorará três anos e as exportações de gás natural liquefeito começarão dois anos depois — embora tal dependa da obtenção integral do financiamento.
O esforço para concretizar grandes projetos em áreas onde os candidatos republicanos precisam de um impulso ocorre numa altura em que as taxas de aprovação de Trump caíram para níveis historicamente baixos, na véspera das eleições.
Trump anunciou o investimento siderúrgico no Iowa por um grupo industrial indiano ladeado pela congressista republicana Ashley Hinson, que disputa um lugar no Senado por este estado com o democrata Josh Turek, na luta pela sucessão da republicana Joni Ernst.
O Alasca e o Iowa — estados onde Trump venceu folgadamente em todas as suas candidaturas à presidência — estão entre aqueles onde os democratas procuram conquistar lugares no Senado atualmente ocupados pelos republicanos nas eleições intercalares.
Os democratas precisam de alcançar um saldo líquido de quatro lugares no Senado, de 100 membros, para superar os republicanos e obter a maioria, num contexto de elevado descontentamento com a subida do preço dos combustíveis.
Até Trump começou a reconhecer que os republicanos poderão enfrentar uma batalha difícil para manter o controlo de ambas as câmaras do Congresso após novembro, sugerindo que tal se deve ao facto de a sua administração não ter divulgado suficientemente as suas realizações.
“Não tenho sido nada bom a explicar isto”, disse o Presidente num evento na Casa Branca, antes do anúncio sobre o investimento no Alasca.
Trump prometeu corrigir a situação, passando grande parte dos próximos 30 dias a viajar e a fazer campanha para as eleições intercalares — embora vá iniciar esta série de viagens pelo Texas, Alabama, Ohio e Nebraska, estados que, tradicionalmente, apoiam firmemente os republicanos.
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