Numa carta dirigida ao presidente do Conselho de Segurança, Jérôme Bonnafont, e ao secretário-geral da ONU, António Guterres, tornada hoje pública, o Governo iemenita declarou ter documentado a utilização de armas de defesa aérea de origem iraniana, modificadas no Iémen com a participação de especialistas da Guarda Revolucionária iraniana.
O Executivo indicou que as armas tinham sido transformadas em “mísseis capazes de permanecer no ar até 25 minutos e equipados com sistemas de deteção térmica”, acrescentando que essas armas utilizam “sistemas de deteção térmica que não distinguem de forma fiável entre fontes de calor militares e civis”.
O lançamento dessas armas perto das rotas aéreas internacionais representa “um grave risco para as aeronaves e os passageiros, incluindo voos humanitários e da ONU que operam no Iémen e na região”, sublinha a carta.
O Governo iemenita insta os estados-membros da ONU a aplicarem integralmente o embargo de armas imposto ao abrigo das resoluções pertinentes do Conselho de Segurança, em particular a Resolução 2216, adotada em 2015.
Sanaa solicita ainda aos investigadores internacionais que analisem as provas para determinar a origem, as características e os mecanismos de funcionamento das armas, bem como para identificar as redes envolvidas na sua transferência e desenvolvimento.
O aviso surge num contexto de intensificação da atividade militar dos rebeldes xiitas Huthis na zona do mar Vermelho, de Bab al-Mandeb e do golfo de Áden.
O grupo já lançou ataques contra o transporte marítimo comercial na região, o que provocou operações militares internacionais e repetidas advertências sobre os riscos para uma das principais rotas comerciais marítimas do mundo.
A carta do Governo iemenita é divulgada semanas depois de os insurgentes terem conseguido consolidar grandes avanços na costa ocidental e meridional do Iémen, conquistando a grande maioria da costa do mar Vermelho e reforçando o controlo em torno do estreito de Bab al-Mandeb, no âmbito da ofensiva lançada contra as tropas governamentais.
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