Falando na VIII Cimeira do Turismo Português, promovida pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), que hoje decorreu em Lisboa, Santos Pereira aconselhou o setor a apostar “na qualidade, na diversidade e na exigência”, mas recordou que para alcançar esses objetivos é preciso “aumentar a produtividade” e gerar “maior valor acrescentado”.
Para que o setor consiga atrair e reter os melhores profissionais, sejam portugueses ou imigrantes, o governador recomendou o investimento na construção de habitação social e pública, pois “os custos de habitação são absolutamente insustentáveis para muitas das pessoas que trabalham no setor”.
“Só vamos atrair mais mão-de-obra se aliada a uma política de turismo tivermos uma política que aumenta a oferta habitacional e aumenta a oferta da habitação pública”, disse ainda.
Como principais desafios ao desenvolvimento do turismo, o governador apontou os riscos geopolíticos, designadamente ao inflacionarem o preço do petróleo e dos restantes bens e serviços, mas também a pressão turística, que “já se começa a sentir” em algumas regiões, as alterações climáticas e o “risco de oportunidade” que a inteligência artificial (IA) representa.
“Vejo a IA mais como uma grande oportunidade do que um risco, mas será um risco se nós não nos adaptarmos”, explicou.
Recordando que a IA “já começa a afetar e influenciar a maneira como os turistas descobrem destinos e planeiam as suas viagens”, aconselhou os agentes do setor a prepararem as suas plataformas e sistemas digitais “para responderem às perguntas de forma adequada e com atividades bastante variáveis”.
Citando um estudo da Booking feito em 2025, Santos Pereira destacou que 67% dos inquiridos já tinham usado IA relacionada com viagens, 89% tencionam usar no futuro e 12% aceitam que a IA tome decisões de forma autómoma.
“Não ficaremos surpreendidos se daqui a cinco, 10 anos estivermos a falar nesta conferência de um impacto enorme que esta tecnologia vai ter em todos os setores”, adiantou.
Como resposta aos desafios, o governador do Banco de Portugal sugeriu uma aposta em produtos e serviços diferenciados, de forma sustentável, redução da sazonalidade, promoção da diversificação territorial e eficiência dos transportes.
“Como país, não é minimamente aceitável que estejamos décadas à espera de um aeroporto essencial [como o novo aeroporto de Lisboa]”, disse ainda Santos Pereira, defendendo a necessidade de encurtar o prazos para a construção da infraestrutura projetada para Alcochete – que a ANA prevê concluir apenas em 2035 ou 2036.
Frisando que a Turquia construiu o mega-aeroporto de Istambul em quatro anos, avisou que qualquer demora na construção do NAL “vai afetar o país de uma forma bastante significativa”.
Na sua intervenção, Santos Pereira caracterizou com dados estatísticos o crescimento do setor e a relevância alcançada na economia portuguesa na última década e meia, sobretudo ao nível das exportações e da quota de mercado.
No emprego, afirmou que o crescimento tem vindo a abrandar em volume enquanto o crescimento dos salários se tem mantido sustentado. Mas, enquanto o salário médio nacional atinge os 1.686 euros mensais, o valor praticado no setor do turismo é de 1.145 euros mensais.
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