A perceção sobre o sistema fiscal português piorou este ano, invertendo a tendência de melhoria que se verificava desde 2023, revela a consultora nas conclusões do estudo hoje divulgado (“Observatório da Competitividade Fiscal 2026 da Deloitte”), conduzido em abril e maio junto de 189 empresas com sede fiscal em Portugal e que pertencem ao universo das 1.000 maiores sociedades portuguesas.
Entre as empresas que responderam, 29% têm entre 51 e 250 milhões de euros de volume de negócios, 26% têm menos de 12 milhões e 16% têm entre 12 e 50 milhões, 7% entre 251 e 500 milhões, 13% no intervalo acima até 2.500 milhões e 9% acima deste patamar.
Ao todo, 68% dos inquiridos consideram o sistema fiscal complexo e ineficaz, mais oito pontos percentuais do que em 2025.
“Apesar de considerarem o sistema fiscal português como complexo, 29% dos inquiridos afirma que este é eficaz, uma diminuição de quatro pontos percentuais face ao ano transato, ao contrário do verificado em 2023 e 2024”, refere-se.
Em simultâneo, 97% classificam o sistema fiscal como complexo, percentagem que aumentou quatro pontos percentuais em relação ao inquérito do ano passado.
O funcionamento da justiça mantém-se como o principal obstáculo ao investimento no país, com uma posição média de 4,45 numa escala de 1 a 5, seguindo-se os custos de contexto e a burocracia, com uma classificação de 4,18, refere o observatório.
Os licenciamentos e autorizações camarárias são o fator com maior impacto para os participantes no estudo, ultrapassando a burocracia em geral, sintetiza a consultora.
“A grande maioria dos inquiridos defende (com uma posição média de 4,70) que, para ser mais competitivo, o sistema fiscal português deveria assegurar o funcionamento mais célere dos tribunais tributários”, lê-se no estudo.
“Ser menos complexo (com uma posição média de 4,56) volta a estar na segunda posição” e a medida que “prevê reduzir o número de obrigações declarativas e evitar” uma duplicação de submissões “passa do quarto lugar em 2025 para o terceiro lugar em 2026”, refere-se no mesmo documento.
A celeridade da justiça tributária, a simplificação burocrática e a redução das obrigações declarativas são apontadas como prioridades para reforçar a competitividade e a confiança.
Para melhorar a confiança entre os contribuintes e o fisco, são identificados como fatores centrais a redução dos prazos de resposta da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e da carga fiscal.
O estudo revela ainda que as empresas reconhecem que a política fiscal desempenha um papel na promoção de investimentos sustentáveis, com 77% dos inquiridos a defenderem a criação de incentivos fiscais destinados a promover investimentos empresariais alinhados com critérios ESG (sigla de Environmental, Social and Governance, relativo a Ambiente, Social e Governança).
Relativamente às preocupações gerais das empresas, as respostas prendem-se com o atual contexto económico e geopolítico global.
Em 2026, a incerteza geopolítica é identificada como a principal preocupação dos inquiridos, assumindo uma posição média de 4,50, seguida da elevada carga e esforço fiscal, com 4,26, e do aumento dos custos energéticos, com 4,24. O desemprego aparece em último, com uma posição média de 2,79.
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