Segundo aquelas fontes, 41 homens foram capturados na sexta-feira, quando a guarda costeira de Puntlândia libertou um petroleiro, vítima do ressurgimento da pirataria no Golfo de Áden e ao longo da costa somali.
Pelo menos 15 ataques foram registados na região em 2026, um recorde desde 2013, segundo dados da Organização Marítima Internacional (OMI).
Os 41 suspeitos, transferidos de barco do navio Sibu 1 para a cidade portuária de Garacad e para a sua esquadra da polícia, seriam depois transportados por via terrestre, sob escolta armada, para Garowe, a capital de Puntlândia.
Mas fontes de segurança acreditam que a cumplicidade dentro da força policial provavelmente permitiu que muitos deles escapassem.
A decisão inicial foi a de transportar os suspeitos de pirataria na sexta-feira, “à noite, o que é invulgar”, observou uma das quatro fontes de segurança entrevistadas pela AFP.
“Embora as suas mãos e pés estivessem amarrados em Garacad, foram desamarrados antes da partida da caravana”, observou outra fonte.
Poucas horas depois, quando a caravana passava pela cidade de Shakal, um dos veículos teve um furo num pneu, obrigando à sua paragem.
Os 41 suspeitos abriram então calmamente a porta do camião que os transportava, cuja fechadura exterior tinha desaparecido, e fugiram a pé, relataram as quatro fontes.
Treze dos fugitivos foram detidos pela polícia, um dos quais, ferido a tiro, morreu pouco tempo depois, mas os outros 28 continuam em fuga, segundo as mesmas fontes.
“Está a salvo, assim como os outros” que conseguiram escapar, disse à AFP o irmão de um dos suspeitos de rapto que ainda estão em fuga.
“Deve ter havido cúmplices dentro da escolta policial”, concluiu uma das quatro fontes, enquanto outra fonte afirmou que “os polícias corruptos que participaram na fuga não são melhores do que os piratas que estão em fuga” e uma terceira descreveu a cumplicidade dentro das fileiras da polícia como “óbvia”.
A Somália, um país árido no Corno de África, devastado por décadas de conflito e cuja população também sofre com os efeitos das alterações climáticas, está ainda mais fragilizada pela corrupção dos seus funcionários e instituições.
A organização não-governamental (ONG) Transparência Internacional classifica a Somália em último lugar no seu índice de perceção da corrupção, empatada com o Sudão do Sul.

Papa apela a “compromisso generoso” para apoio à população da Somália
O Papa Leão XIV apelou a um “compromisso generoso” da comunidade internacional para que não falte assistência à população da Somália, onde se está a verificar uma grave crise humanitária.
Lusa | 12:15 – 20/09/2026



