“Os dois países decidiram em conjunto, neste dia 22 de setembro de 2026, restabelecer as relações diplomáticas. Para o efeito, as respetivas embaixadas bilaterais serão reabertas em breve”, escreveram os ministérios dos Negócios Estrangeiros da Bélgica e do Ruanda na nota.
A decisão surge na sequência de “uma série de encontros e contactos informais” realizados nos últimos meses entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros, “durante os quais foi possível abordar, num espírito construtivo, vários pontos de divergência e de incompreensão”, acrescenta-se no texto, que agradece ao Qatar pela mediação no processo de reconciliação
Bruxelas e Kigali reafirmam o compromisso com a “manutenção de um diálogo aberto, franco e transparente, cuja necessidade sublinham para resolver qualquer diferendo bilateral e discutir posições divergentes e desacordos que persistem sobre questões internacionais”, prossegue-se no comunicado.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Ruanda acompanhou este anúncio com a publicação, na rede social X, de uma fotografia dos chefes da diplomacia da Bélgica, Maxime Prévot, e do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, a apertar as mãos em frente à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
O Ruanda rompeu em março de 2025 as relações diplomáticas com a Bélgica, acusando-a de tomar partido por Kinshasa no conflito na República Democrática do Congo (RDCongo) e denunciando “tentativas lamentáveis” de Bruxelas de “manter ilusões neocoloniais”.
A Bélgica, antiga potência colonial tanto da RDCongo (antigo Zaire) como do Ruanda, foi um dos países mais críticos em relação a Kigali quando a rebelião do M23, apoiada pelo exército ruandês, lançou, em 2024, uma ofensiva no leste da RDCongo, que a levou, nomeadamente, a tomar as grandes cidades de Goma, capital do Kivu do Norte, e Bukavu, capital do Kivu do Sul.
Bruxelas solicitou na altura à União Europeia que considerasse a imposição de sanções contra o Ruanda, acusado o país de violar a soberania da RDCongo.
[Notícia atualizada às 06h29]
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