A campanha, difundida em plataformas como X, Instagram e Reddit sob palavras de ordem como ‘#FreeJimmyLai’ ou ‘#TrumpXiSummit’, procura evitar que o destino do fundador do entretanto encerrado jornal Apple Daily, crítico de Pequim, seja relegado perante as disputas comerciais, tecnológicas e geoestratégicas que dominam a agenda bilateral.
À iniciativa juntaram-se figuras com peso em Washington, incluindo o antigo vice-presidente norte-americano Mike Pence, que pediu à Casa Branca que avise que “o tempo se esgotou”, e o copresidente da Comissão Executiva do Congresso sobre a China (CECC), Chris Smith, além de organizações não-governamentais como os Repórteres Sem Fronteiras e a Amnistia Internacional.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, pediu também expressamente a Trump, durante um recente encontro bilateral, que defenda a libertação do detido, que possui passaporte britânico.
Downing Street transmitiu formalmente à delegação norte-americana a disponibilidade para acolher Lai de imediato em território britânico caso as autoridades chinesas aceitem conceder-lhe um salvo-conduto por razões estritamente humanitárias.
O veterano empresário da comunicação social, de 78 anos, cumpre uma pena de 20 anos de prisão, aplicada em fevereiro passado, depois de ter sido considerado culpado de sedição e conspiração para conluio com forças estrangeiras ao abrigo da controversa legislação de segurança nacional imposta por Pequim em 2020.
Após quase seis anos consecutivos na prisão de máxima segurança de Stanley e sujeito a um regime rigoroso de isolamento durante 23 horas por dia, o advogado de defesa, Robert Pang, denunciou graves complicações decorrentes de hipertensão, diabetes e perda progressiva de visão.
A situação levou o filho, Sebastien Lai, a afirmar no Capitólio que a pena equivale, na prática, a “uma sentença de morte”.
A urgência humanitária é ainda agravada pelo estado de saúde da filha, Claire, diagnosticada com um cancro agressivo, situação que a impede de prosseguir a campanha internacional pela libertação do pai.
O caso já provocou tensões durante a visita oficial de Trump a Pequim, em maio passado, quando o Presidente norte-americano reconheceu a recusa de Xi em libertar Lai, a quem o líder chinês atribuiu o “grande caos” dos protestos pró-democracia de 2019.
A posição contrastou com o posterior perdão concedido ao pastor protestante e fundador da Igreja Zion, Ezra Jin Mingri.
Trump afirmou então que Xi lhe disse que Lai era “o seu pior pesadelo” e acrescentou não estar otimista quanto à possibilidade de libertação do empresário.
Embora tanto Pequim como o Governo de Hong Kong rejeitem qualquer mediação externa, que classificam como uma “ingerência flagrante” na soberania judicial chinesa, analistas e juristas independentes na antiga colónia britânica consideram que o encontro em Washington representa uma oportunidade política e processual para Lai.
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