Hoje de manhã, no centro de Schwerin, capital deste estado no Leste da Alemanha, o SPD realizou a última ação de rua, sendo visível o entusiasmo com que os seus militantes e candidatos receberam a mais recente sondagem, divulgada na véspera, que coloca pela primeira vez os sociais-democratas à frente da AfD.
Depois de, ao longo dos últimos meses, o AfD surgir sempre à frente nas intenções de voto, uma sondagem da Forschungsgruppe Wahlen para a ZDF, divulgada na sexta-feira, coloca o SPD à frente, com 37% dos votos, contra 36% da AfD, surgindo depois, muito atrás, Linke (Esquerda), com 9%, os conservadores da CDU com 6% e os Verdes com 5%.
“Felizmente temos vindo a crescer e vai ser muito renhido. Há três meses, davam à AfD neste Estado um resultado idêntico àquele que alcançaram na Saxónia-Anhalt” há duas semanas – o maior triunfo eleitoral do partido, com 43,8% –, diz à Lusa um militante do SPD, Tim, que distribui aos transeuntes e curiosos sacos de papel com material promocional do partido.
Embora seja certa uma subida expressiva do AfD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental – onde, em 2021, obteve 16,7%, pelo que quase seguramente mais do que duplicará esse resultado –, a recuperação do SPD, que atualmente governa o estado em coligação com A Esquerda, e o facto de todos os partidos candidatos rejeitarem liminarmente coligações com a extrema-direita deram um novo fôlego aos sociais-democratas, que confiam também na grande popularidade da sua líder no estado, a ministra-presidente Manuela Schwesig.
“Já participei em muitas campanhas, mas esta é particularmente importante e excitante, estamos a disputar cada voto com a AfD. Felizmente, temos uma grande líder, a Manuela Schwesig, que é provavelmente a figura do SPD mais popular em toda a Alemanha”, prossegue Tim, segundo o qual muitas pessoas votam “em pessoas, e não em programas”, pelo que é importante ter uma figura carismática.
Também candidata nas listas do SPD para o parlamento de Mecklemburgo-Pomerânia, ainda que num posto mais modesto, Mandy Pfeifer concede alguns minutos à Lusa, entre conversas com vários cidadãos que a abordam junto à banca montada pelo partido na Marienplatz, dando também conta do seu entusiasmo.
“Temos de lutar até ao último segundo. Esta eleição é muito importante. As pessoas que falam comigo estão assustadas” com o crescimento da AfD, diz.
Assumindo que um bom resultado é o SPD “ser a força política mais votada”, Pfeifer afirma-se confiante de que o partido “vai continuar a governar” o estado e evitar que se repita em Mecklemburgo-Pomerânia a “catástrofe” eleitoral ocorrida no início do mês na Saxónia-Anhalt, com um triunfo da AfD no limiar da maioria absoluta.
A poucas horas do final da campanha eleitoral, os partidos gastam os últimos ‘cartuchos’ em busca dos votos, e a pouco menos de 100 metros do local onde o SPD realiza a sua última ação de rua, distribuindo pipocas entre os transeuntes, a AfD realizará, à tarde, o seu comício de encerramento, num evento que servirá também para medir o entusiasmo em torno do seu programa, que defende uma política migratória mais restritiva, mais recursos para a polícia e a Justiça e o reforço das deportações.

Extrema-direita pode duplicar votação nas eleições de domingo em Berlim
A Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita) poderá duplicar a votação nas eleições regionais de domingo em Berlim, aproximando-se dos 18%, indicam as sondagens, perante a insatisfação com os partidos que governam a capital alemã.
Lusa | 17:47 – 18/09/2026



