“Ele [o motorista do semicoletivo de passageiros] foi violentado na sua faixa de rodagem, o que temos a apelar é que todos os condutores, sejam eles motoristas de camião, autocarros, devem sempre optar pela condução defensiva”, explicou o presidente da Fematro, Paulo Muthisse, em conferência de imprensa, em Maputo.
Um acidente que ocorreu por volta das 23:00 locais (22:00 em Lisboa) de quinta-feira, na Estrada Nacional Número Um (N1), na localidade de Helene, província de Inhambane, sul de Moçambique, quando uma viatura de transporte de passageiros embateu frontalmente contra um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), matou 24 pessoas e feriu outras duas, com a polícia a apontar excesso de velocidade e falhas mecânicas entre as causas.
Hoje, os transportadores moçambicanos apontam que o motorista do semicoletivo de passageiros superlotou a viatura que tinha apenas capacidade para 15 lugares, mas rejeitou condução fora do horário previsto como uma das causas.
“Esta viatura transportava acima de 15 pessoas, mas na saída, no local de partida (…) saiu de lá com 15 passageiros e mais uma vez foi a irresponsabilidade do nosso motorista que não cumpriu com as regras e orientações dadas, esta é uma responsabilidade do motorista, não é orientação do patronato e nem das associações que zelam por aquela rota”, disse o presidente da Fematro.
Assim, a Fematro quer integrar as equipas policiais de fiscalização rodoviária, indicando que assim poderá ajudar a controlar e a solucionar o problema de superlotação de viaturas registadas nas associações de transporte de passageiros.
“Apelamos ao Governo que queremos fazer parte da fiscalização para controlarmos as nossas viaturas, nós temos alternativas, porque se uma viatura tiver em excesso de lotação imediatamente chamamos outra para o transporte de passageiros”, disse Paulo Muthisse.
O chefe de Estado lamentou a perda de vidas humanas num dos mais graves acidentes rodoviários registados este ano no país e defendeu a adoção de medidas que contribuam para reduzir a sinistralidade rodoviária.
O ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, confirmou que o acidente envolveu uma viatura das FADM que seguia no sentido sul-norte e um veículo de passageiros que circulava em sentido contrário.
Por sua vez, o porta-voz das FADM, Omar Saranga, explicou que a viatura militar integrava uma coluna logística que se deslocava para o local das celebrações do Dia das Forças Armadas, em 25 de setembro, acrescentando que as circunstâncias do acidente continuam a ser apuradas.
A sinistralidade rodoviária continua a ser uma das principais causas de morte em Moçambique. Dados divulgados na quinta-feira pela PRM indicam que pelo menos 239 pessoas morreram e 1.112 ficaram feridas em 169 acidentes de viação registados no primeiro semestre deste ano.
Segundo dados oficiais, o país registou 611 acidentes rodoviários em 2025, dos quais resultaram 830 mortos, situação que levou o Governo a avançar com a revisão do Código da Estrada.
Em junho, o Conselho de Ministros aprovou uma autorização para a revisão daquele diploma, propondo a introdução da carta de condução por pontos e a utilização de câmaras de videovigilância para reforçar a fiscalização rodoviária.
A proposta prevê igualmente o reforço dos mecanismos de fiscalização e controlo das infrações rodoviárias, bem como a harmonização das normas do Código da Estrada com a legislação penal nacional.
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