Um inquérito conhecido agora aponta como as autoridades neozelandesas agiram de forma negligente no caso de Tom Phillips, o homem que levou os filhos para morarem com ele numa zona de floresta, situação que durou quase quatro anos.
O inquérito, lançado em novembro de 2025, foi aberto por forma a perceber como é que as autoridades e envolvidos tinham agido nesta situação, que deixou três crianças às mãos de um pai já por si negligente.
Segundo o documento, conhecido na terça-feira e citado pela imprensa internacional, os danos causados na sequência do isolamento a que as crianças foram sujeitas pelo pai foram “subestimados, minimizados ou ignorados” por “períodos significativos”.
O dedo foi apontado não só à polícia, como também à ao ministério das Crianças, conhecido como Oranga Tamariki. De acordo com o que é referido, ao longo do tempo foram levantadas por parte da mãe das crianças e por familiares, incluindo irmãos mais velhos destas crianças. Estas preocupações eram, no entanto, “frequentemente minimizadas como parte de uma disputa sobre a educação dos filhos”.
Mas como se chegou até aqui?
Segundo o que é explicado, o desaparecimento das crianças aconteceu em dezembro de 2021, mas esta não terá sido a primeira vez que aconteceu – tendo sido a mais duradoura. Como não foi a primeira vez que Tom Phillips desapareceu com as crianças – então com 5, 7 e 8 anos -, as autoridades não agiram com “urgência”, segundo o que foi explicado. O homem desapareceu com os filhos de Marokopa, uma comunidade rural na Ilha do Norte.
A análise feita indica ainda que as autoridades falharam na ação policial quando, meses antes deste desaparecimento, houve um outro. Dois anos depois de Tom Phillips ter desaparecido definitivamente com os filhos, em 2023, as autoridades terão falhado nas buscas e não usaram força militar, o que deveria ter acontecido. Em termos de mandados, também nenhum foi emitido.
No relatório apresentado agora não há, no entanto, nenhum funcionário envolvido nesta situação a ser identificado pelo nome, o que significa que o inquérito não terá força para avançar para eventuais denúncias. O governo neozelandês comprometeu-se, no entanto, a implementar as recomendações do relatório.
As crianças foram encontradas depois de Tom Phillips ter sido morto a tiro por agentes da polícia em setembro, quando fugia de um assalto – para o qual levou um dos filhos. Durante a fuga, este homem atingiu também tiro um polícia e, apesar de não ter morrido, o agente ficou gravemente ferido.
Depois, a polícia encontrou os outros dois filhos junto a um “arsenal de armas”, num acampamento improvisado próximo. De acordo com o que é explicado, as crianças não deverão ter estado muito longe da casa da qual foram levadas durante todos os anos em que estiveram isoladas, sem acesso a cuidados de saúde ou educação. Os menores viviam em condições “miseráveis” e “precárias”.
Apesar de já terem sido encontradas há um ano e de o inquérito ter sido aberto, não é público onde – ou com quem – é que as crianças estão. O pai das crianças nunca teve a custódia dos filhos.
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