George W. Bush era o presidente dos Estados Unidos quando o ataque às Torres Gémeas, em Nova Iorque, aconteceu na manhã de 11 de Setembro de 2001. Hoje, o antigo chefe de Estado dos EUA diz que o país “não toma atenção às lições” deixadas pelo atentado, que atingiu não só o World Trade Center, como também o Pentágono – tendo um quarto avião caído na Pensilvânia.
“A nossa nação passa ocasionalmente por períodos de isolacionismo, em que a atitude é: ‘Bem, temos problemas demais aqui dentro. Portanto, quem se importa com o que acontece no exterior?’“, disse Bush, na quarta-feira, citado pela CBS News, acrescentando: “O que, para mim, significa realmente que eles simplesmente não prestam atenção para as lições do 11 de Setembro, pois o que acontece no exterior é importante para a nossa segurança nacional aqui dentro.”
Bush apontou que, com as pessoas a lutarem “contra a tirania, faz sentido” que os Estados Unidos se envolvam. E afirmou: “Não temos de enviar tropas. Devemos, no mínimo, apoiá-los e estar ao lado deles, pois foi por isso que passámos há 250 anos [Declaração de Independência]. E, mais uma vez, trata-se da convicção de que todos querem ser livres – e vimos isso no Afeganistão.”
As declarações aconteceram no Centro Presidencial George W. Bush, ao lado de Condoleezza Rice – que era em 2001 conselheira política e, depois, tornou-se ex-secretária de Estados dos EUA.
Note-se que, depois do 11 de Setembro, George W. Bush iniciou a guerra no Afeganistão e, posteriormente, apoiou a formação de um governo democrático, após anos de abusos humanitários cometidos pelo regime talibã.
No entanto, o conflito prolongou-se por 20 anos – tornando-se a guerra mais longa dos Estados Unidos -, até que as tropas norte-americanas se retiraram e o Afeganistão voltou a ficar sob o domínio do talibã, em 2021.
Bush deixou claro que discordava da opinião de alguns norte-americanos que disseram que as pessoas no ‘exterior’ não sabem como é viver em liberdade. “Claro que sabem a diferença. Meninas que vão à escola pela primeira vez na vida conhecem a diferença. Mulheres que se tornam médicas e professoras conhecem a diferença entre uma sociedade livre e uma sociedade tirânica.”
Bush, que ainda nem tinha um ano no cargo quando os atentados aconteceram, estava numa escola primária quando soube o que tinha ocorrido. Recordando esse dia, o antigo presidente aponta: “Tornei-me num presidente em tempo de guerra. Era uma guerra, e a tarefa do presidente, do país e da sua equipa é mobilizar a nação e fazer o que for necessário para proteger o nosso povo.”
Segundo a CBS News, tanto Bush como Rice recordaram agora que no 11 de Setembro “cada avião tinha-se tornado um míssil”, havendo então ordens para que todos os aviões aterrassem ou poderiam ser abatidos.
Quanto ao avião que se despenhou na Pensilvânia, depois de os passageiros terem tentado ‘roubar’ o controlo aos sequestradores, o governo dos EUA pensou, ainda, que pudesse ter sido abatido pelo exército norte-americano.
“Houve aquele momento terrível em que o vice-presidente [Dick Cheney] insistia em obter confirmação sobre o que tinha acontecido e, por cerca de 10 minutos, pensámos que tínhamos abatido uma aeronave civil”, explicou a antiga secretária de Estado, Rice, acrescentando. “E isso, para mim, sempre representou o quão difíceis eram as decisões que precisávamos tomar sob grande pressão.”
O antigo presidente dos EUA contou também que, após os ataques, teve a sensação de que havia muito “trauma” no país, mas que não teve a noção de “o quão mau era até chegar” aos locais afetados, nomeadamente, a Nova Iorque.
“Não queria que perdêssemos a nossa alma. Tal como defendemos as nossas liberdades, quero que as pessoas se recordem de quão preciosas elas são”, afirmou.
Rice disse ainda, durante a conferência ao lado de Bush: “As pessoas hoje não compreendem o peso dos dias que se seguiram ao 11 de Setembro na tentativa de proteger o país.”
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