Numa mensagem publicada na rede social X, o assessor diplomático do Presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Anwar Gargash, não faz referência à Argélia, mas afirmou que as relações diplomáticas “não podem ficar reféns de uma tensão interna ou da incapacidade para explicar os interesses e estabelecer as prioridades”.
Apesar de não citar diretamente a decisão de Argel, as declarações do assessor diplomático surgiram minutos depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros argelino ter anunciado o rompimento das relações diplomáticas com os Emirados após “ter esgotado” todas as vias para manter relações bilaterais entre os dois países.
A diplomacia argelina afirmou que “perante o aumento de ações provocadoras ou hostis por parte dos EAU, a Argélia deu mostras de grande moderação e elevado sentido de responsabilidade”, sem especificar quais são essas ações hostis.
Na mesma mensagem, Anwar Gargash afirmou que “a ambiguidade não é uma política e o ruído não compensa a ausência de uma visão clara”, acrescentando que “uma diplomacia eficaz baseia-se na clareza das posições e numa boa gestão dos interesses e das diferenças”.
“Tudo o resto não é mais do que uma expressão de falta de visão e de capacidade de gestão”, indicou ainda o assessor diplomático dos EAU.
Hoje, o embaixador dos Emirados na capital argelina foi recebido na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Argélia, onde lhe foi comunicada “oficialmente” a decisão de romper as relações diplomáticas entre Argel e Abu Dhabi.
O anúncio surge num contexto de fricções indiretas há vários anos entre Argel e Abu Dhabi, durante as quais a Argélia acusou o país do golfo Pérsico de “ingerência” nos seus assuntos internos.
A Argélia já tinha decidido em fevereiro de 2026 cancelar o acordo de serviços aéreos assinado em 2013. Os Emirados responderam que essa medida não tinha efeito imediato sobre os voos e que as operações aéreas continuavam normalmente durante o período legal previsto.
As autoridades da Argélia não se pronunciaram, por enquanto, sobre as causas da decisão, embora os meios de comunicação social argelinos tenham sido críticos em relação a Abu Dhabi, que em 2020 decidiu estabelecer relações diplomáticas com Israel, passo posteriormente dado por Marrocos, pelo seu papel na região.
O Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, acusa regularmente os EAU de levarem a cabo uma ação desestabilizadora em vários países da região.
“Onde quer que ponham os pés, corre sangue”, afirmou recentemente numa entrevista televisiva, qualificando os EAU de “Estado minúsculo” com um “impacto muito negativo”.
“Tudo o que a Argélia deseja é que este Estado se afaste, para que não corra sangue no nosso país”, acrescentou na mesma ocasião, precisando que Argel só não rompeu as relações diplomáticas há mais tempo “porque não queria agravar as divisões entre os países árabes”.
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