A sua iniciativa, batizada “Meio-dia para a paz”, visa incitar todos os eleitores, na Federação Russa e no estrangeiro, a deslocarem-se às secções de voto, em 20 de setembro, àquela hora.
“Se as pessoas forem todas votar contra o Rússia Unida (o partido que apoia o governo) ao mesmo tempo e fizerem fila, então o mundo vai ver quando somos realmente”, disse Ilya Yashin, que habite em Berlim, em entrevista à AFP dada em Helsínquia.
A vitória do Rússia Unida não oferece a menor dúvida.
Os dirigentes russos mantêm um forte controlo do processo eleitoral e os defensores dos direitos humanos realçam as fraudes associadas.
A repressão na Federação Russa atingiu níveis nunca vistos desde o fim da era soviética depois do desencadear da invasão da Ucrânia, em 2022.
Milhares de pessoas foram detidas ou condenadas a multas por terem criticado a invasão.
As principais figuras da oposição estão detidas, exiladas ou mortas e as manifestações contra o Kremlin são quase inexistentes.
Em agosto, o Supremo Tribunal decidiu impedir o único partido que se opõe à invasão, o Iabloko, de concorrer nas próximas legislativas.
“Nós nem considerámos isto como uma eleição”, declara Ilya Yashin.
Este quadragenário, aliado próximo do opositor já falecido Alexeï Navalny, dirige um partido fundado em junho na capital alemã que se deu por missão de reunir os diferentes grupos da oposição russos, para apelar ao fim da invasão da Ucrânia e defender os direitos humanos.
Militante ativo na oposição liberal na Federação Russa desde os anos 2000, Ilya Yashin tinha sido condenado no final de 2022 a oito anos de prisão por se ter insurgido contra o “assassínio de civis” na cidade ucraniana de Boucha no início da invasão.
Dois anos mais tarde foi libertado, o quadro de uma troca de presos entre a Federação Russa e os Ocidentais.
Para o seu partido, o Rússia Pacífica, tem a ambição de chegar ao poder: “Existem numerosos precedentes no mundo em que os dissidentes criaram partidos políticos no exílio e depois de algum tempo tomaram o poder”, compara.
Para já, fica a promessa: “Quando a ocasião se proporcionar, serei o primeiro a regressar à Rússia”.
Em grande parte, isso vai depender do final da guerra na Ucrânia “e da maneira como isso acontecer”.
Aliás, espera uma “escalada” na Ucrânia depois das eleições. Pensa mesmo que centenas de milhares de cidadãos vão ser mobilizados para realizar uma grande ofensiva na primavera ou no verão de 2027.
“Nada indica que Putin esteja pronto para fazer negociações sérias com a Ucrânia. (…) Mas numerosos sinais mostram que está a preparar uma escalada”, insiste.
Outras evoluções possíveis que antecipa são “uma provocação à NATO”, “uma tentativa de tomar uma cidade dos Estados bálticos” ou “uma provocação à Polónia”.
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