Num comunicado hoje divulgado, a Comissão Política do BE aponta que as contradições no caso que envolve o ministro da Administração Interna, Luís Neves, “têm-se aprofundado de forma incontornável” nos últimos meses.
“Incapaz de explicar as contradições ou garantir a legalidade dos seus atos, Luís Neves deixou há muito de ter condições para ser ministro”, aponta este organismo do partido.
No entender do partido, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, tem segurado Luís Neves por duas razões.
“Primeiro, porque Luís Montenegro, fragilizado pelo caso Spinumviva, fez da opacidade o padrão ético do seu Governo. Segundo, porque o Governo tem procurado aproveitar o caso Luís Neves para esconder a má governação nas mais diversas áreas – de que são exemplo o caos nas escolas e nos hospitais”, acusa a Comissão Política do BE.
Para o Bloco de Esquerda, a moção de censura apresentada pelo Chega “escolhe ignorar todos estes problemas, legitimando a má governação do governo”.
Assim, e “contra essa política do caos”, o BE diz encontrar “na oposição inequívoca ao governo o caminho para a construção de uma alternativa”.
A moção de censura do Chega ao Governo vai ser discutida no parlamento na terça-feira e já tem rejeição garantida, uma vez que precisaria de 116 votos a favor para ser aprovada e fazer cair o Governo, hipótese já afastada de forma clara por PS e IL.
A moção de censura do Chega vai ser a primeira ao XXV Governo Constitucional e a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro. O documento intitula-se “Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições” e visa responsabilizar o primeiro-ministro pela manutenção no Governo do ministro da Administração Interna.
Durante a 8.ª Marcha Nacional pelos Direitos de Todos os Animais, em Lisboa, a deputada única do Bloco de Esquerda, Andreia Galvão, que substitui Fabian Figueiredo este mês no parlamento, já tinha insistido que Luís Neves não tinha condições para continuar como ministro.
“Fomos muito pacientes, pedimos esclarecimentos, achamos que os esclarecimentos não foram suficientes. Neste momento, achamos que o ministro que não pode ter menos responsabilidade, no sentido da transparência, que é exigida a um cidadão comum”, disse, então, à Lusa.
Luís Neves e o Governo estão sob pressão há quase dois meses, desde que foi noticiado pelo jornal Nascer do Sol as suspeitas de irregularidades em obras a título privado numa propriedade do ministro em Odemira, nomeadamente no que diz respeito à construção de uma piscina, feitas por um empreiteiro amigo de Neves e que por 17 vezes ganhou contratos de empreitadas para obras na PJ.
Seguiram-se notícias sobre a entrega ao mesmo empreiteiro, João Carvalho, dono da Construbarcelos, de um atrelado apreendido pela PJ na ‘Operação Pacoba’, contra o tráfico de droga, ficando à guarda deste empreiteiro com bidões com químicos no seu interior, os quais Luís Neves disse não terem sido destruídos devido ao elevado custo que isso acarretava e que a PJ não tinha verbas para comportar.
O caso do atrelado motivou a abertura de um inquérito pelo Ministério Público.
Luís Neves viu ainda serem levantadas dúvidas sobre não ter entregue à Entidade para a Transparência e ao Tribunal Constitucional as suas declarações de património enquanto liderou a PJ, uma obrigação para todos os detentores de cargos públicos.
Mais recentemente, foi noticiado que Luís Neves conduz um carro apreendido judicialmente no processo que condenou Ruben Oliveira, conhecido por ‘Xuxas’, a 20 anos de prisão por tráfico de droga, algo que o ministro defendeu em declarações na Madeira, durante uma cerimónia da PSP realizada na terça-feira, ter enquadramento legal.
O ministro tem reiterado que tem sido alvo de insinuações e mentiras, mas que não se deixará intimidar e continuará a governar e a trabalhar.
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