Na quinta-feira, o canal televisivo Channel 4 transmitiu uma reportagem filmada com câmara oculta, na qual se vê um colaborador próximo do líder do partido Reformista, Nigel Farage, a propor um mecanismo para legitimar o donativo de 500 mil libras (cerca de 580 mil euros) de um empresário estrangeiro, montante que violaria a legislação eleitoral britânica.
Um funcionário sugeriu que o suposto empresário financiasse sondagens a título de doação em espécie, o que poderia contornar o escrutínio.
O doador norte-americano e o filho eram, na realidade, um ator e um jornalista a trabalhar para uma organização denominada Verbatim Investigations, que facilitou as filmagens ao canal britânico.
Um porta-voz do partido afirmou ter já sido lançada uma investigação interna.
“As duas pessoas envolvidas demitiram-se dos respetivos cargos enquanto se aguardam as conclusões da investigação”, anunciou na sexta-feira um porta-voz do partido num comunicado.
O líder do Reform UK, Nigel Farage, argumentou que o partido “não infringiu nenhuma lei” nem aceitou “dinheiro de origem duvidosa”.
As novas acusações vêm somar-se a outras suspeitas sobre o financiamento do partido, que durante meses liderou as sondagens e está atualmente empatado com o Partido Trabalhista.
Farage enfrenta uma investigação parlamentar sobre um pagamento no valor de cinco milhões de libras (cerca de 5,8 milhões de euros) recebido em 2024 do empresário do setor das criptomoedas Christopher Harborne.
O montante não declarado, que Farage alegou ter sido um presente pessoal, só foi divulgado na sequência de uma reportagem do jornal The Guardian e poderá ser considerado ilícito porque aconteceu meses antes das eleições legislativas.
A polícia também está a investigar duas doações de 250 mil libras (cerca de 291 mil euros) cada, feitas nesse ano por Fiona Cottrell, mãe de George Cottrell, antigo assessor de Farage condenado nos Estados Unidos por crimes financeiros.
A notícia coincide com o segundo dia do congresso anual do partido populista de direita radical, no qual está prevista a intervenção do presidente do partido de extrema-direita francês União Nacional, Jordan Bardella.
Durante a tarde, Farage proferirá um discurso, o momento mais importante do encontro, que decorre até sábado em Birmingham (centro de Inglaterra).
O congresso, que começou na quinta-feira, já estava ensombrado por acusações de jornalistas britânicos aos quais terá sido recusado acesso.
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