O sistema Volta já recolheu mais de 1,2 milhões de embalagens de bebidas na Região Autónoma dos Açores desde o arranque do sistema, em 10 de abril deste ano. No entanto, poderiam ser muitas mais, se o Volta funcionasse bem em todas as ilhas do arquipélago.
Até o início do mês de agosto, segundo a agência Lusa, no site do Volta não havia referência a qualquer ponto disponível para devolução de embalagens em quatro das nove ilhas dos Açores: Flores, Corvo, São Jorge e Graciosa.
Neste momento, em São Jorge já há duas máquinas e dois pontos Volta manuais onde se pode devolver embalagens. Já na Graciosa não há máquinas, mas há seis estabelecimentos que aceitam a devolução.
Nas Flores, dois espaços comerciais estão a aceitar a recolha, mas há, segundo o que o Notícias ao Minuto conseguiu apurar, pouca informação sobre o tema e muita resistência, tanto da parte dos habitantes como das empresas.
Uma testemunha disse ao Notícias ao Minuto que um estabelecimento está mesmo “a tentar reduzir o espaço comercial para não ter os metros quadrados” que os obrigam a assegurar a receção das embalagens de bebidas que vendem. Outro está a tentar tornar-se “isento”.
Há ainda algum desconhecimento quanto aos vouchers de 10 cêntimos por embalagem e quem garanta que só vai aceitar a devolução “com talão de quem compra lá”.
Há ainda uma máquina Volta que já terá chegado à ilha das Flores, mas encontra-se “ainda por montar”.
Com tantas “chatices”, notou outro residente florentino ao Notícias ao Minuto, a maioria das pessoas continua a fazer a reciclagem como fazia antes do sistema Volta existir: “Plástico para o plástico, papel para o papel, vidro para o vidrão”. Preferem ficar sem 10 cêntimos do que perder tempo (e paciência).
Corvo não tem pontos de recolha. Uma história de passa-culpas
Entretanto, passou quase meio ano e na ilha do Corvo continua a não existir o sistema Volta, o que faz com que residentes (e turistas) percam dinheiro. São cobrados mais 10 cêntimos por cada embalagem mas não há como devolvê-las e receber o reembolso.
À agência Lusa, no início do mês, Marco Silva, autarca do município menos populoso do país – com cerca de 434 habitantes – revelou que o sistema não está em funcionamento na ilha porque não existem pontos de recolha, acrescentando que a câmara não foi contactada por qualquer entidade ou instituição para a sua implementação.
E fonte oficial do Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) adiantou, na mesma altura, que os centros de processamento de resíduos vão assumir a recolha das embalagens nas ilhas sem equipamentos, ressalvando, contudo, tratar-se de um processo da responsabilidade do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) Portugal.
Já a SDR Portugal confirmou que o Corvo não tem pontos Volta registados mas assegura que estão já “em articulação com o Governo Regional para implementar soluções complementares para reforçar a rede de recolha na ilha”.
Por outro lado, notou a entidade, “existem estabelecimentos de comércio a retalho que, nos termos da lei, têm a obrigatoriedade de assegurar a receção das embalagens de bebidas que comercializam” e que não o fazem.
“Existem atualmente dois estabelecimentos de comércio a retalho na ilha do Corvo que comercializam embalagens abrangidas pela Volta. Ao abrigo do artigo 30.º -H do UNILEX, os estabelecimentos com mais de 50 e menos de 400 metros quadrados estão obrigados a assegurar a receção das embalagens de bebidas que vendem. Pelas dimensões, estes estabelecimentos enquadram-se no presente artigo da legislação e cumpre esclarecer que a SDR Portugal contactou os mesmos a fim de procederem ao devido registo atempadamente”, garantiu a SDR, aproveitando para esclarecer que “esta obrigatoriedade não significa que os estabelecimentos tenham de instalar uma máquina”.
“A recolha pode ser feita manualmente ou através de equipamento automático, sendo a escolha da solução da responsabilidade do próprio estabelecimento”, é explicado em resposta às perguntas colocadas pelo Notícias ao Minuto.
74 pontos e um quiosque nos Açores
De acordo com a SDR, há, neste momento, 74 pontos Volta registados nos Açores – 58 automáticos e 16 manuais – assim como um Quiosque Volta em funcionamento.
A operação logística é assegurada através da RESIAÇORES, entidade contratada para proceder à recolha dos sacos de 240 litros provenientes da recolha manual, que acontece, por exemplo, nas Flores, Graciosa e em alguns locais das restantes ilhas.
A RESIAÇORES assegura também a armazenagem e subsequente gestão destes sacos enquanto Centro de Processamento de Resíduos.
Enquanto entidade gestora do Volta, “a SDR Portugal assegura a gestão e operação da rede de recolha, mas não tem competências de fiscalização, cabendo a mesma às autoridades oficiais competentes”.
No entanto, para “reforçar a cobertura do Volta”, a SDR Portugal assegurou ao Notícias ao Minuto que “está a trabalhar na implementação da rede voluntária, em articulação com os municípios com o Governo Regional dos Açores”.
Neste âmbito, foram cedidas “25 máquinas à SDR Portugal”. “Depois de concluídas as respetivas vistorias, a intenção é privilegiar a instalação destas máquinas em ilhas onde a rede de pontos Volta é mais premente, como é o caso da ilha do Corvo”, garantiu ainda a entidade, lembrando que “trata-se de uma solução complementar à rede obrigatória e não substitui as responsabilidades que decorrem da lei para os estabelecimentos de comércio a retalho”.
Adicionalmente, a SDR “encontra-se a implementar, de forma progressiva, a rede supletiva, através dos quiosques Volta”.
Existem, atualmente, seis quiosques em funcionamento a nível nacional, de um total de 50 que estão previstos implementar em articulação com 38 municípios.
Um deles encontra-se em Ponta Delgada, na empresa MUSAMI (Ecoparque I), “reforçando a rede de recolha nos Açores”, concluiu a entidade.
Como funciona o Volta
O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) Volta, em funcionamento desde 10 de abril, permite aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 10 cêntimos por embalagem pago no ato da compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros entregues e nos mais de 2.500 pontos Volta distribuídos pelo país.
Até o início de agosto, já tinham sido recuperadas mais de 150 milhões de embalagens.

O dinheiro que não Volta: Eis o que acontece aos depósitos não reclamados
Na prática, os valores de depósito não reclamados mantêm-se no sistema Volta e são reinvestidos no mesmo, “financiando a inovação tecnológica e a necessária requalificação da infraestrutura”.
Notícias ao Minuto | 08:01 – 12/08/2026



