O coordenador do grupo de trabalho para a reforma da Segurança Social, Jorge Bravo, desaconselha o Governo a seguir o caminho dos últimos anos de atribuir um bónus extraordinário aos pensionistas, por considerar que esta não é a forma correta de gerir o sistema.
“Tenho preferência por regras mais automáticas e transparentes possíveis, com o mínimo de intervenção discricionária. Mas não podemos querer tirar aos eleitos pelo povo margem para que, pontualmente, possam fazer esse tipo de política social. Temos tido alguns episódios que o justificam: uma pandemia, uma crise de inflação, problemas de custo de vida. Agora, de forma recorrente, para fins eleitoralistas, não é a forma correta de gerir o sistema“, disse Jorge Bravo numa entrevista ao Expresso, publicada no final de quinta-feira.
O que diz o Governo?
Pouco antes, durante a conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, tinha abordado precisamente este tema e não se comprometeu com a repetição, este ano, do pagamento de um suplemento extraordinário aos pensionistas com menos rendimentos, recusando qualquer relação entre essa decisão e o estudo agora conhecido.
“Se houvesse algum nexo, é que este suplemento extraordinário e esta modalidade que nós temos utilizado é a mais amiga da sustentabilidade, porque é dada no ano, em função das capacidades orçamentais, sem criar responsabilidades contingentes para o futuro”, disse.

Este ano também há bónus para os pensionistas? O que se sabe até agora
O Parlamento aprovou uma proposta para que o Governo volte a pagar, em 2026, um suplemento extraordinário das pensões mais baixas, em função da evolução das contas públicas. Confira o que se sabe até ao momento.
Beatriz Vasconcelos | 09:48 – 13/08/2026
Também no fim de semana, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não anunciou novas medidas na Festa do Pombal, aa tradicional rentrée política do PSD. Significa isso que o alívio do IRS e o bónus das pensões continuam em banho-maria, pelo menos até o Governo ter indicações sobre as contas públicas.
“Mal tenhamos a garantia de que as finanças públicas comportam, continuaremos esta política de descida de impostos e de valorização das pensões”, disse o primeiro-ministro, perante os simpatizantes do seu partido.
Ainda assim, Montenegro não revelou um valor em concreto ou um calendário para um eventual suplemento extraordinário das pensões, deixando muito claro que a medida dependerá das contas públicas.
De recordar que, em novembro de 2025, o Parlamento aprovou na especialidade a proposta do PSD e CDS-PP para que o Governo volte a pagar em 2026 suplemento extraordinário das pensões mais baixas, em função da evolução das contas públicas.
O que aconteceu nos últimos anos?
Em 2025, refira-se, os pensionistas com reformas mais baixas, até 1.567,5 euros, receberam um valor extra durante um mês, em setembro, 100, 150 ou 200 euros, em função do montante da pensão.
De recordar que, em 2024, o anúncio foi feito em agosto e o pagamento ocorreu em outubro. Depois, em 2025, o anúncio foi feito em julho e o pagamento em setembro.
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