O Governo quer reentrar na REN – Redes Energéticas Nacionais e, para isso, deverá pagar um prémio de 17% ao dono da Zara para adquirir uma posição que neste momento lhe pertence para entrar no capital da empresa. Face aos desenvolvimentos recentes em torno deste tema, o Notícias ao Minuto preparou um explicador com três respostas sobre o negócio.
1 – Os detalhes do negócio: O que se sabe?
No final da semana passada, recorde-se, foi comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que a Parpública, sociedade gestora de participações sociais do Estado Português, comprou aos espanhóis da Pontegadea Inversiones, empresa de investimento da família Ortega, dona da Zara, uma participação de 13,7% do capital da REN.
A operação representa um regresso do Estado português à estrutura acionista da empresa, cujo processo de privatização foi concluído em 2014, durante o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho, com a saída dos restantes 11% que ainda estavam na esfera pública.
2 – Quais são os objetivos do negócio? Pode baixar a fatura da luz?
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu na terça-feira que a reentrada do Estado na REN – Redes Energéticas Nacionais pode baixar a fatura da luz para os clientes, mas especialistas do setor não acreditam nesta hipótese.

Afinal, reentrada do Estado na REN baixa ou não a fatura da luz?
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu na terça-feira que a reentrada do Estado na REN – Redes Energéticas Nacionais pode baixar a fatura da luz para os clientes, mas especialistas do setor não acreditam nesta hipótese.
Beatriz Vasconcelos com Lusa | 08:54 – 19/08/2026
Esta é, pelo menos, a opinião do antigo presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) Vítor Santos que entende que a reentrada do Estado na REN poderá reforçar a influência sobre decisões estratégicas, mas não lhe dará o controlo da empresa e não baixará diretamente as tarifas.
Por sua vez, Luís Montenegro detalhou ainda que o objetivo desta operação é poder “contribuir ainda mais, de forma mais permanente, para a concretização de um sistema cujos investimentos” permitam que a rede elétrica chegue “mais facilmente à casa das pessoas e também às empresas” com o objetivo de “diminuir efetivamente os custos”.
Para isso, acrescentou, é preciso que o país tenha “capacidade produtiva, uma boa distribuição, que o sistema possa integrar, como já integra felizmente em Portugal, a energia elétrica que provém de fontes renováveis” e possa “ter mais autonomia, autonomia estratégica, autonomia em termos de decisão”.
O primeiro-ministro afirmou que a conjugação destes fatores a “médio e longo prazo terá um efeito sobre o preço“.
3 – O prémio de milhões ao dono da Zara: Qual é a justificação do Governo?
Já na quinta-feira, o Governo justificou o prémio a pagar pelos 13,7% da REN com o peso da participação na empresa e o impacto que uma compra desta dimensão teria no preço em bolsa, remetendo o valor final para as Finanças.
No briefing do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, explicou que a aquisição de participações relevantes em empresas cotadas é normalmente feita através de negociações bilaterais, com base numa média histórica da cotação e um prémio associado à influência que a participação confere.
O ministro foi questionado sobre o valor da operação, nomeadamente sobre a indicação de que o preço acordado estaria 17% acima do valor de mercado face ao dia do anúncio situando-se em 380 milhões de euros, como noticiou o Jornal Económico.

Estado paga prémio de 55 milhões ao dono da Zara para reentrar na REN
O Estado reentra na REN – Redes Energéticas Nacionais adquirindo 13,7% a uma empresa do fundador da Zara por 380 milhões de euros, valor que representa um prémio de 17% (cerca de 55 milhões de euros), face à cotação de 14 de agosto.
Notícias ao Minuto | 08:31 – 20/08/2026
Leitão Amaro remeteu os detalhes para o Ministério das Finanças, salientando que o processo está ainda pendente de avaliação pelo Tribunal de Contas, mas explicou que a aquisição de participações relevantes em empresas cotadas é normalmente feita com base num valor histórico da cotação, ao qual acresce um prémio: “Tipicamente, são feitas pelo histórico da cotação mais um prémio X que é depois acordado entre as partes”, afirmou.
“Aquela participação, que é a segunda maior e é metade da maior participação na empresa, tem de facto um poder inerente“, afirmou, defendendo que esse valor deve ser considerado além do preço de mercado.
O ministro justificou também a opção por uma aquisição negociada em vez de uma compra gradual em bolsa, lembrando que a REN tem poucas ações transacionadas diariamente e uma liquidez limitada.
O negócio, recorde-se, ainda está pendente de visto do Tribunal de Contas.
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