Os Estados Unidos estão “profundamente preocupados” com “os ataques aéreos israelitas confirmados contra a base aérea de Abou Dhouhour”, declarou Barrack, igualmente embaixador na Turquia.
Trata-se de “uma escalada desnecessária que não favorece de modo algum a estabilidade regional”, denunciou o enviado especial do Presidente Donald Trump.
A Síria acusou Israel de ter atacado hoje de manhã o aeroporto militar fora de serviço na província de Idleb (noroeste), sem fazer vítimas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio condenou “nos termos mais veementes” o que qualificou de “ato de agressão injustificada” por parte de Israel.
Uma fonte militar síria disse na televisão estatal que foram efetuados oito ataques contra a pista do aeroporto, que danificaram a infraestrutura.
O aeroporto, que sofreu grandes danos durante a guerra civil síria, está fora de serviço desde 2012.
A infraestrutura é atualmente protegida por forças do Ministério da Defesa, disse uma fonte de segurança síria à agência de notícias France-Presse (AFP).
As autoridades israelitas não comentaram ainda as acusações sírias e norte-americanas.
Israel lançou centenas de ataques contra a Síria desde o derrube, em dezembro de 2024, do presidente Bashar al-Assad por uma coligação de grupos islamistas.
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que dispõe de uma vasta rede de fontes na Síria, disse que os ataques de hoje ocorreram após “a visita, nos últimos dias, de uma delegação militar turca ao aeroporto”.
A visita realizou-se no âmbito dos esforços em curso para colocar o aeroporto “novamente em serviço”, precisou a organização com sede no Reino Unido.
A Turquia, cujas relações são péssimas com Israel desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, é um aliado fundamental das novas autoridades sírias.
A Síria condenou repetidamente as operações israelitas no território sírio e exigiu a retirada das tropas que Israel enviou para o país.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, reiterou na semana passada que Israel vai manter as forças na Síria.
Apesar das tensões, Israel e as novas autoridades sírias realizaram várias conversações diretas e concordaram em estabelecer um mecanismo de partilha de informações.
O noroeste da Síria também foi atingido no passado por uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos no âmbito da luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI, também conhecido pelo acrónimo árabe Daesh).
A Síria é agora membro da coligação internacional e anunciou hoje mesmo a detenção de um comandante do EI perto de Manbij, na província de Alepo, no norte do país.
O Ministério do Interior sírio disse num comunicado que as forças de segurança e parceiros internacionais, que não identificou, “detiveram Hamza Abdullah Mohammad, apelidado de Abou Jihad al-Mouhajir, alto responsável militar do EI”.
O ministério especificou que o detido foi comandante-geral do grupo na região de Damasco e comandante militar adjunto da organização.
Também foi responsável pela província de Idleb (noroeste) no seio do EI, referiu o ministério.
A operação insere-se nos esforços “contínuos visando perseguir as células e os dirigentes do EI, desmantelar as redes e impedir as tentativas de se reconstituir e de ameaçar a segurança dos cidadãos e a estabilidade do país”, acrescentou.
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