Além da vítima mortal, três outros palestinianos ficaram feridos no sábado por disparos israelitas em Khan Younis, no sul da Faixa, quando as forças israelitas abriram fogo contra um grupo de pessoas, acrescentou a mesma fonte.
Com estas vítimas, sobe para 1.258 o número de palestinianos mortos e para mais de 4.100 o de feridos desde 10 de outubro de 2025, quando começou o atual cessar-fogo em vigor na Faixa e que Israel violava quase diariamente com novos ataques.
Entre os mortos contam-se pelo menos 300 adolescentes e crianças, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Contudo, desde 03 deste mês, as autoridades de saúde de Gaza não tinham registado novos mortos, depois de o Conselho de Paz para Gaza, organismo patrocinado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, ter pressionado o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a suspender os ataques enquanto são negociados os avanços para a segunda fase do cessar-fogo.
Na noite de segunda-feira, dois palestinianos morreram num bombardeamento aéreo contra um veículo a oeste da cidade de Gaza, segundo uma fonte do Hospital Shifa e elementos da Defesa Civil que se deslocaram ao local para extinguir o incêndio. Um dia antes, no domingo, Israel tinha matado 18 pessoas em Gaza, incluindo uma mulher grávida e o feto de seis meses.
A suspensão dos bombardeamentos aéreos israelitas coincidiu com a visita a Israel do alto representante do Conselho de Paz para Gaza, Nikolai Mladenov, a 03 deste mês, em que instou Netanyahu a suspender os ataques durante 14 dias, noticiaram então meios de comunicação israelitas, citando fontes oficiais.
Contudo, noticiou na noite de sexta-feira a televisão pública israelita Kan, os ministros do Governo de Netanyahu opõem-se à implementação desse cessar-fogo de duas semanas, segundo informações divulgadas pela imprensa sobre a reunião do Governo realizada no dia anterior.
A ideia de uma trégua tem a ver com a necessidade de travar os ataques com vista à aplicação do plano de desarmamento do Hamas.
Além disso, o correspondente do canal de televisão israelita i24News, que também teve acesso às deliberações do Gabinete, recordou na sexta-feira que, após a reunião, ficou por decidir a autorização formal de Israel para a entrada em Gaza da Força Internacional de Estabilização, um contingente multinacional proposto no âmbito do Conselho da Paz promovido por Trump.
“O Hamas aceitou o plano de 15 pontos, mas não renunciou ao seu objetivo de destruir Israel”, advertiu durante a reunião o brigadeiro-general Ofir Mizrahi-Rozen, chefe da inteligência militar do Exército israelita, em declarações citadas pelo jornal Israel Hayom e reproduzidas por outros meios de comunicação social do país.
Por seu lado, David Zini, chefe do Shin Bet — o serviço de segurança interna israelita –, advertiu o gabinete de que o acordo do Hamas sobre o roteiro para Gaza é uma “emboscada estratégica”, destinada a ganhar tempo e a garantir que Israel não volte a operar em Gaza antes das eleições, previstas para o outono.
Vários ministros, entre os quais Bezalel Smotrich, Orit Strock, Avi Dichter e Zeev Elkin, todos de extrema-direita, pressionaram Netanyahu para que declare formalmente a rejeição de Israel à aplicação do plano anunciado no final de julho por Trump, e aprovado pelo Hamas, segundo o qual a milícia palestiniana se comprometia a desarmar-se se as tropas israelitas abandonassem a Faixa.
Na reunião, o ministro ultranacionalista da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, confrontou Netanyahu e apelou à manutenção diária de ataques seletivos em Gaza, ao que o primeiro-ministro respondeu que “nos próximos 90 dias, nada será tático”.
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