Depois de semanas de silêncio, Luís Neves veio a público esclarecer as recentes polémicas. “Ponto por ponto”, o ministro da Administração Interna procurou explicar os diversos temas… e as reações dos partidos não tardaram. Da Esquerda à Direita, o que foi dito?
Durante uma conferência de imprensa, o governante afirmou que, nos últimos dias, “foram levantadas gravíssimas suspeitas” sobre a sua “honra e dignidade” e que essas suspeitas mereciam resposta da sua parte.
E, assim foi, “ponto por ponto”.
O ministro, note-se, garantiu ainda ter-se sentido apoiado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, e que nunca equacionou apresentar a demissão na sequência das polémicas, acrescentando estar “totalmente legitimado e empoderado” para o cargo que exerce.
O que disseram os partidos?
Antes da conferência, Carneiro exigiu “esclarecimentos” de Montenegro
Ainda antes de Luís Neves falar à comunicação social, o secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, que havia estado reunido com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que tinha pedido esclarecimentos ao chefe do Executivo, mas que as respostas que obteve não dispensam a presença de Luís Neves no Parlamento.
“Quero transmitir às portuguesas e aos portugueses que a minha primeira preocupação no pedido de audiência ao primeiro-ministro teve de ver com a minha preocupação democrática, com a preocupação que tenho com a confiança e a credibilidade das instituições democráticas, entre elas com a Polícia Judiciária (PJ)”, contextualizou, em declarações à imprensa.
O socialista indicou que exigiu “esclarecimentos” ao primeiro-ministro, “que foram dados, mas que não dispensam que o MAI preste esclarecimentos na Assembleia da República (AR)”.
Do “em nome do interesse do Estado” às “pontas soltas”
Para o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, o ministro da Administração Interna justificou “ponto por ponto” as polémicas em que esteve envolvido enquanto diretor nacional da PJ, “assumindo erros”, mas atuando “sempre em nome do interesse do Estado”.
Na perspetiva de Hugo Soares, a conferência de imprensa dada, esta quarta-feira, pelo ministro foi “suficientemente elucidativa” sobre assuntos que têm ocupado o espaço público em relação à conduta que adotou “enquanto diretor nacional da PJ e não enquanto ministro da Administração Interna”.
Já o presidente do Chega, André Ventura, considerou que Luís Neves não tem “nenhumas condições para continuar a integrar o Governo de Luís Montenegro, tendo, inclusive, apelado à intervenção do Presidente da República, António José Seguro.
“Acho que nessas condições não é preciso que eu diga mais nada ao primeiro-ministro, que não isto: se quer ainda salvar a decência das instituições, tem de tomar uma decisão”, referiu, pedindo a Luís Montenegro que não tenha “medo de nenhum poder”.
Por sua vez, a presidente da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, classificou como “surreal” o teor da conferência de imprensa e disse ter chegado à conclusão que o ministro não tem condições políticas para se manter em funções no Governo.
“Não tem sequer adequação para o cargo que ocupa, não tem autoridade, não tem confiança e não tem responsabilidade necessária para ocupar o cargo que ocupa. A situação é grave e, por isso mesmo, a IL já na terça-feira tinha solicitado uma audiência ao Presidente da República. Uma audiência que, obviamente, se torna cada vez mais urgente, porque está em causa o bom nome e o bom funcionamento das instituições”, sublinhou.
O PCP, através do dirigente António Filipe, apontou que há “pontas soltas” nos esclarecimentos dados pelo governante, tendo também defendido que as explicações dadas por Luís Neves “não substituem a necessidade de, na Assembleia da República, o ministro da Administração Interna ter de se submeter às questões que sejam colocadas pelos deputados”, quando for possível.
Considerou ainda que as declarações do ministro foram “manifestamente tardias”.
Uma opinião partilhada pelo líder do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, que considerou as explicações “evidentemente tardias”.
“Os esclarecimentos prestados tinham de ser mais cabais e não apenas cingidos a esta interpretação de factos. Em primeiro lugar exige-se que o MAI apresente ao país documentação que comprove a sua versão dos factos mais importantes que sublinhou”, sustentou.
Já o deputado do Livre Paulo Muacho referiu que esta poderá não ser a “melhor altura” para substituir um ministro da Administração Interna, por ser época de incêndios, que exige alguém concentrado no combate aos fogos.
“Eu percebo que haja quem queira utilizar esta questão para ganhos políticos, para ocupar espaço mediático, mas não é a altura de o fazer. Neste momento, nós temos incêndios ativos no nosso país, precisamos de ter alguém que esteja concentrado no combate a esses fogos e a esses incêndios. E, portanto, entendemos que o ministro da Administração Interna deverá continuar, enquanto o primeiro-ministro assim entender que ele tem condições”, disse.

“Ato de boa gestão”, obras e património. Neves diz sentir-se “legitimado”
Após semanas de silêncio, Luís Neves esclareceu, esta quarta-feira, as polémicas que envolvem o seu nome. Numa conferência de imprensa, o atual ministro da Administração Interna explicou “ponto por ponto” os diversos temas e garantiu estar “totalmente legitimado” para continuar o seu trabalho no Governo.
Maria Gouveia com Lusa | 17:59 – 29/07/2026



