As autoridades iranianas identificaram os executados como Erfan Esfandiyari e Gol-Mohamad Mohamadi, acusados de terem participado nos atos violentos registados em 08 de janeiro na praça Shahid Alikhani, em Isfahan, durante protestos que o Governo classificou como um “golpe de Estado” norte-americano-israelita, informou a agência Mizan, ligada ao poder judicial iraniano.
Segundo a versão oficial, os acusados amarraram vários agentes com cordas, feriram-nos com pedras, regaram-nos com gasolina e atearam-lhes fogo. Enquanto ainda estavam vivos, arrastaram-nos pelo chão e atacaram-nos com facas e machetes.
Posteriormente, os condenados mutilaram os corpos dos agentes após a sua morte e gravaram imagens, que enviaram para redes ligadas ao “inimigo”, de acordo com a agência Tasnim.
No caso, foram acusadas 16 pessoas e vários dos arguidos foram condenados à morte após as investigações, a realização do julgamento e a análise das imagens das câmaras de segurança do local.
No final de dezembro, um movimento de protesto inicialmente desencadeado contra o custo de vida elevado transformou-se rapidamente em grandes manifestações antigovernamentais que culminaram nos dias 08 e 09 de janeiro.
As autoridades iranianas registaram mais de 3.000 mortos, atribuindo a violência a “atos terroristas” orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
Organizações não-governamentais (ONG) internacionais deram conta, por seu turno, de uma onda de repressão que terá causado 7.000 mortos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou então intervir militarmente no Irão.
Israel e os Estados Unidos lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque conjunto contra o Irão, desencadeando a guerra no Médio Oriente.
Desde então, as detenções e as execuções têm-se multiplicado no país, relacionadas com o conflito, mas também com as manifestações do início do ano. São já 23 os executados pela sua participação nestes protestos.
Segundo algumas ONG, entre as quais a Amnistia Internacional, o Irão é o país que mais recorre à pena capital, a seguir à China.
As autoridades executaram pelo menos 1.639 pessoas em 2025, um recorde desde 1989, segundo as ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, e a Ensemble contre la peine de mort (ECPM), com sede em Paris.
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