“Hoje é verdadeiramente um momento histórico. É com orgulho que assino este acordo com o Reino Unido sobre Gibraltar”, afirmou o comissário europeu para o Comércio e Segurança Económica, Maros Sefcovic, em comunicado.
O comissário referiu que “foram necessários quatro anos de negociações pacientes e complexas, mas o resultado fala por si: prosperidade partilhada, uma cooperação mais estreita e o fim da barreira para cerca de 15 mil pessoas que atravessam diariamente a fronteira entre Espanha e Gibraltar”.
“É um sentimento muito especial ver uma vedação ser removida. Agora, aguardo com expectativa a implementação do acordo”, afirmou.
O tratado sobre Gibraltar entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido, o último protocolo pendente na sequência da saída britânica do bloco europeu (‘Brexit’) em 2020, foi hoje assinado em Bruxelas.
O acordo entrará agora em vigor a título provisório à meia-noite, uma vez que necessita da ratificação do Parlamento Europeu para ser definitivo.
O tratado prevê a livre circulação de pessoas e bens entre o território britânico e Espanha e a eliminação da barreira física (“a vedação”) em redor de Gibraltar, “o último muro na Europa continental”.
Eliminam-se os controlos na passagem fronteiriça terrestre, que passam a ser feitos, tanto por Espanha como pelas autoridades de Gibraltar, no aeroporto e, em alguns casos, também no porto da colónia inglesa.
Segundo o tratado, aplicar-se-ão as regras do espaço europeu de livre circulação Schengen, que Londres não integra, para permitir a entrada em Gibraltar.
A vedação que separa Gibraltar de La Línea de la Concepción, no sul de Espanha, foi levantada em 1909 pelos britânicos e chegou a estar totalmente fechada entre junho de 1969 e 1982 (para passagem de peões) e 1985 (para mercadorias e outras viaturas), na sequência de uma decisão do ditador espanhol Francisco Franco que ditou um bloqueio de 15 anos do território britânico e uma crise social e económica para a comarca espanhola Campo de Gibraltar, onde dezenas de milhares de pessoas se viram sem trabalho e empresas sem clientes repentinamente.
Cerca de 15 mil pessoas cruzam hoje diariamente a fronteira entre Espanha e Gibraltar para trabalhar no território britânico e cidades como La Línea, assim como várias empresas no lado espanhol, nasceram e consolidaram-se por causa do território inglês.
Já os gibraltarenhos cruzam a fronteira para ir às compras, passear, viajar ou usufruir de diversos serviços, como ginásios.
O fim da vedação e do controlo da fronteira tem o valor simbólico de acabar com uma separação física que para milhares de pessoas não existe na prática e também de fechar o processo do ‘Brexit’.
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