O mentor do assalto ao Museu do Louvre, no qual foram roubadas oito joias num valor estimado de 88 milhões de euros, “não ficou nada contente” com o resultado e considerou que os assaltantes podiam “ter levado mais”.
De acordo com as transcrições dos interrogatórios da polícia a dois suspeitos, a que o jornal francês Le Monde teve acesso, os ladrões foram recrutados apenas dois a três dias antes do assalto e receberam entre 15 mil a 20 mil euros.
Os dois suspeitos foram identificados como Abdoulaye N., um taxista sem licença de 40 anos, e Ghelamallah A., um argelino desempregado de 36 anos, que sofre da síndrome de Diógenes. Ambos foram detidos dias após o assalto e foram acusados de “roubo organizado”, aguardando julgamento em prisão preventiva.
No dia 19 de outubro de 2025, os dois suspeitos levaram apenas alguns minutos para entrar na Galeria de Apolo do museu, num elevador de mercadorias, partir rapidamente duas das três vitrinas instaladas no final de 2019 para guardar joias e fugir com oito peças num valor estimado de 88 milhões de euros.
Segundo os seus interrogatórios, realizados ao longo do passado mês de junho, os dois homens foram recrutados por um “mentor”, que não identificaram e continua em fuga. Abdoulaye N. e Ghelamallah A. terão sido contratados dois ou três dias antes do assalto e receberam, como missão de reconhecimento, um vídeo gravado no interior da Galeria de Apolo mostrando as coleções de joias reais em exposição.
Abdoulaye N. contou que a missão era simples: “Partir os vidros e apanhar as jóias de dentro das montras”.
O suspeito acredita que foi recrutado devido ao seu passado “problemático” e pela sua reputação como “condutor” em Aubervilliers. Nos anos 2000, partilhou vídeos das suas manobras de moto no Youtube e arrecadou centenas de milhares de visualizações.
“Sou conhecido por andar de moto, sou atlético, dinâmico e engenhoso”, disse, aos investigadores, sublinhando também que estava “numa situação financeira precária”. Prometeram-lhe entre 15 mil e 20 mil euros, “talvez mais, dependendo do quanto rendesse”.
Apesar de Abdoulaye N. admitir que “sabia que ia assaltar o Louvre”, o seu cúmplice, Ghelamallah A., garantiu que o mentor – que tinha como objetivo revender as joias roubadas – lhe deu como alvo “uma joalharia em Paris” e não o museu.
O assalto demorou apenas alguns minutos e a dupla fugiu com oito peças de joalharia — tiaras, um broche, colares e brincos — que pertenceram a rainhas e imperatrizes francesas. Umas das principais peças, uma coroa da Imperatriz Eugénia, foi encontrada pouco depois nas imediações do Museu do Louvre. Sabe-se agora que “caiu” da mala de um dos assaltantes.
Agora, os dois assaltantes têm medo das represálias e admitem que o mentor do crime “não ficou nada contente” com o resultado, uma vez que “podiam ter levado mais”.
“A pessoa que ordenou o roubo não ficou nada contente. Achou que podíamos ter levado mais. Perdemos tempo a voltar pela janela”, frisou Abdoulaye N..
O Museu do Louvre, sublinhe-se, tem estado envolvido em várias polémicas ao longo dos últimos meses. Além do assalto, no início de fevereiro, o museu mais visitado do mundo anunciou ter sido alvo de uma fraude gigantesca na bilheteira, que causou um prejuízo superior a 10 milhões de euros.
No dia seguinte, uma infiltração de água danificou igualmente um teto pintado do século XIX, obrigando a instituição a encerrar temporariamente algumas salas.

Diretor reconhece que Museu do Louvre está “no limite” das capacidades
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Lusa | 11:03 – 17/06/2026



