Os pais de Nolan Wells, o jovem de 18 anos que morreu após ter ido celebrar o 4 de Julho com amigos, não acreditam que o filho tenha ficado para trás na ilha de Horn, no Mississípi, porque quis – contrariando assim a tese dada pelo grupo com quem o jovem foi até ao local. O caso está a deixar o país em dúvida.
O pai deste jovem, Elmore Wonsley, contou no programa “CBS Morning” que o jovem “ficava sempre com o grupo”. “Se estás comigo, voltas comigo. Então, não entendo. Se eu estivesse naquela situação, teria dito: ‘Vais voltar neste barco comigo porque não quero ter de explicar aos teus pais se alguma coisa acontecer contigo'”, referiu.
Segundo a CBS News, quando foi questionado diretamente sobre se achava que o filho tinha sido deixado na ilha, Elmore Wonsley disse que sim. “Não acredito que ele tenha decidido ficar por ele. Não bate certo com a personalidade dele”, justificou.
O jovem saiu com um grupo de amigos para celebrar o Dia da Independência dos Estados Unidos. O barco zarpou no sábado e regressou no mesmo dia durante a tarde, tendo o jovem sido visto vivo pela última vez pelas 15h00 (hora local). A mãe do jovem, Christine Wonsley, explicou ainda que o telemóvel do filho estava com um dos amigos, que o devolveu aos pais.
Do telemóvel que ficou com os amigos à “jovem” com que Wells falou
Ainda de acordo com o que as autoridades citadas pela CBS explicaram, está a ser feita uma investigação, inclusivamente, para perceber quem publicou um vídeo que pode dar algumas pistas. Em causa está um vídeo em que se ouve alguém a discutir sobre o controlo de um telemóvel – e as autoridades querem perceber se a voz era a de Nolan Wells.
Ainda quanto ao objeto, a mãe do jovem acredita que foram apagadas mensagens, dado que não há registos de mensagens ou imagens do Snapchat, o que considera ser estranho. “Sei que quando os miúdos estão juntos em eventos como este usam o Snapchat. Fazem vídeos, tiram fotografias, e eu fiquei a pensar: ‘Onde estão [os registos]?’. É que ainda não tinham passado 24 horas quando começámos a procurar aí e os registos no Snapchat só desaparecessem passado um dia”.
Um porta-voz da rede social Snapchat disse, citado pela imprensa internacional, que lamentava a morte do jovem e que a empresa estava pronta para cooperar com as autoridades. “Os nossos sentimentos estão com a família afetada por este incidente trágico. Uma parte fundamental de nossos esforços para ajudar a manter nossa comunidade segura inclui a nossa colaboração, de longa data e essencial, com as autoridades policiais, e estamos prontos para trabalhar com elas na investigação desta tragédia”, afirmou.
“Contradições flagrantes”
Um outro ponto da investigação que mostra as “contradições flagrantes” no caso, tal como o advogado Ben Crump refere, diz respeito a uma jovem com quem Nolan Wells terá falado. “Temos os amigos a dizer que ele estava a falar com uma jovem e ela disse que ele [Wells] disse: ‘Vou voltar no barco com os meus amigos’. E os rapazes do grupo dizem que ele disse: ‘Não [vou], vou ficar com ela’. Qual destas hipóteses é a real?”
“Há tantas contradições flagrantes. E é por isso que tanta gente em todos os Estados Unidos está a manifestar-se, dizendo que o caso não está encerrado”, referiu.
Note-se que a família alertou as autoridades para o desaparecimento do jovem ainda no sábado, tendo o corpo sido descoberto na segunda-feira. Foi realizada uma autópsia na terça-feira, mas os resultados não foram divulgados. O corpo seguiu para Washington DC, onde será realizada uma outra autópsia. A ilha de Horn fica a cerca de 16 quilómetros da parte continental do Mississípi.
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