“Sobre os eventuais impactos para o setor hoteleiro decorrentes da situação dos cortes de abastecimento de água no concelho de Almada, a AHP está a acompanhar a evolução da situação, mas não dispõe, neste momento, de dados consolidados que permitam quantificar prejuízos concretos junto dos associados na região”, revelou.
Numa resposta escrita à Lusa, a AHP precisou que interrupções ou cortes no fornecimento de água “representam um risco operacional sério para qualquer unidade hoteleira”, com implicações que vão desde a limpeza e lavandaria até ao conforto dos hóspedes.
Nesse sentido, a associação acrescentou que irá entrar em contacto com os associados de Almada para perceber a real dimensão da situação no terreno.
O organismo salientou também que as piscinas, “ao contrário do que por vezes se pensa, não são o ponto mais crítico neste tipo de crise”, lembrando que funcionam “em circuito fechado de recirculação e filtração, pelo que o consumo diário de água nova serve sobretudo para repor perdas por evaporação, não para renovar o volume total”.
“O maior risco operacional está nas casas de banho, lavandaria e cozinhas”, afirmou.
Questionada sobre situações semelhantes no passado, a AHP lembrou que o precedente mais relevante foi a seca prolongada no Algarve que tem sido gerida “ao longo de vários anos através de um mecanismo formal do Governo, a Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que chegou a impor restrições de consumo de água ao setor turístico de até 15%”.
Essas medidas, referiu, foram entretanto aliviadas com a recuperação das reservas hídricas.
No entanto, a AHP salientou a importância em distinguir a situação que foi vivida no Algarve e esta agora de Almada.
“A seca algarvia é uma crise estrutural de origem, que obriga a uma gestão coordenada e prolongada entre Governo, autarquias e setores económicos. A situação em Almada resulta, segundo as informações públicas disponíveis, de constrangimentos na rede de distribuição municipal, associados a défice de investimento, um aumento súbito de consumo e perda de água no sistema, problema que reflete, aliás, um padrão nacional mais amplo”, salientou o organismo.
Como tal a associação mantém a mesma linha de atuação já expressa em situações anteriores de escassez hídrica: “recomenda aos seus associados a ativação de planos de contingência próprios, reservas de água autónomas, contacto direto com as entidades gestoras locais e comunicação transparente com os hóspedes, evitando medidas unilaterais e privilegiando soluções articuladas entre os diferentes setores afetados”.
Nos últimos dias, têm sido relatadas sucessivas falhas de água, com especial incidência na Costa da Caparica, tendo sido ativado, na segunda-feira, o plano de contingência dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada e criado um gabinete de crise.
Entretanto, a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros (PS), decretou na quarta-feira situação de alerta no município e implementou uma série de medidas para preservar o recurso para “abastecimento doméstico e para os serviços indispensáveis à população”, entre as quais o corte total do abastecimento em determinadas zonas do concelho, das 22:00 às 06:00, em dias diferenciados.
Segundo a autarquia, a situação que o município enfrenta é excecional e resulta de um aumento muito significativo do consumo de água, que exerceu uma pressão sem precedentes sobre o sistema de abastecimento.
Contudo, a Câmara de Almada e os SMAS garantem o abastecimento aos equipamentos e serviços essenciais, nomeadamente hospitais, centros de saúde, lares, bombeiros e restantes infraestruturas críticas, disponibilizando meios alternativos de abastecimento, incluindo camiões-cisterna, nas zonas onde tal venha a revelar-se necessário e reforçada a articulação com municípios vizinhos e restantes entidades competentes para assegurar toda a capacidade de resposta disponível.
Na quinta-feira, a ministra do Ambiente assegurou que um novo furo de captação de água vai entrar em funcionamento até ao fim de semana, aumentando a capacidade do sistema em cerca de 20% e que os atuais constrangimentos no abastecimento de água em Almada deverão estar resolvidos dentro de duas a três semanas.
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