A mais de uma hora para a abertura da Grande Feira Estadual Americana, um dos principais eventos das celebrações da independência na capital, já centenas de norte-americanos se aglomeravam junto aos portões, tentando ser os primeiros a entrar.
A sensação térmica atingia os 40 graus Celsius e, em declarações à Lusa, vários participantes relativizavam as elevadas temperaturas.
“Estamos em Washington DC, é verão, este tipo de calor já seria de esperar. Não estou minimamente preocupado com o tempo” disse Bob, de 71 anos, que indicou à Lusa ter viajado da Pensilvânia até à capital para participar nas celebrações.
“Estou aqui para celebrar a fundação do nosso país e todo o sacrifício e genialidade daqueles que ajudaram a desenvolver os Estados Unidos. Estou desapontado pela forma como algumas pessoas tratam este país e as pessoas que o servem, mas há sempre um futuro e estou muito otimista em relação a esse futuro”, acrescentou o septuagenário, que usava um chapéu ao estilo “cowboy” com as cores da bandeira norte-americana.
Igualmente vestido de azul, vermelho e branco, dos pés à cabeça, um casal que viajou propositalmente do estado da Florida para a Washington para assistir aos festejos da Independência também rejeitou qualquer preocupação com a vaga de calor.
“Sou um americano muito orgulhoso e estou aqui para honrar este país. Estou 100% feliz com o rumo que o nosso país está a levar. E, em relação ao calor, isto não é nada para quem mora na Florida”, afirmou, entre risos, Brian, 65 anos.
“Estou realmente entusiasmada por ver toda esta gente reunida para celebrar a América. Independentemente de quem está na Presidência, acho que temos de mostrar respeito, quer gostemos do Presidente ou não”, disse Michelle, de 57 anos, quando questionada sobre se está especialmente animada por ver o Presidente, Donald Trump, a discursar.
Apesar do calor extremo não preocupar estes norte-americanos, as autoridades locais acabaram por tomar decisões difíceis em prol da segurança do público, como cancelar o grande desfile que estava agendado para hoje, uma das principais atrações do dia.
Eram esperados mais de 4.000 artistas, membros de bandas, dançarinos, organizações culturais, carros alegóricos, balões gigantes e militares em representação de todos os 50 estados do país.
Na sexta-feira, temperaturas semelhantes às de hoje levaram a que mais de 40 pessoas precisassem de atendimento médico na Grande Feira Estadual Americana.
Essa mostra chegou a estar suspensa na sexta-feira, durante várias horas, devido ao calor excessivo.
Apesar da programação ter sido severamente afetada face às condições meteorológicas, parte da programação ainda se mantém, como a “Saudação à América”, um evento que contará com um longo discurso do próprio Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Também o tradicional espetáculo de fogo de artifício continua agendado para o final da noite, naquele que promete ser o maior espetáculo pirotécnico da história norte-americana.
As celebrações em Washington foram também palco de algumas ações de protesto, umas mais discretas do que outras.
No meio da multidão, uma jovem vestia uma camisola com a frase: “Os imigrantes não são criminosos, mas o nosso Presidente é”.
Uma outra mulher, com um megafone na mão, cantava: “Prendam o nosso Presidente, ele é pedófilo”, sendo eventualmente confrontada por apoiantes de Donald Trump que a mandavam calar.
Nos céus, várias aeronaves faziam acrobacias, enquanto, em solo, os norte-americanos aplaudiam.
“Este é o melhor país do mundo”, gritava um homem, erguendo a bandeira dos Estados Unidos.
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