O corpo do aiatola iraniano ficará em câmara ardente até segunda-feira na mesquita de Mosalla, que abre no sábado às primeiras horas da manhã.
As paredes do complexo estão cobertas com grandes retratos do antigo líder supremo, bandeiras negras em sinal de luto e outras vermelhas, símbolos de martírio e vingança, avançou a AFP, que observou uma forte presença policial e o encerramento de todas as ruas em redor.
Um grande parque na capital foi transformado num acampamento para a ocasião, com mais de 400 tendas da Cruz Vermelha iraniana alinhadas.
Camiões-cisterna foram previamente posicionados para refrescar a multidão a temperaturas que deverão ultrapassar os 35° Celsius.
Centenas de dirigentes iranianos e estrangeiros prestaram homenagem hoje em Teerão a Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, no primeiro dia da ofensiva aérea israelo-americana contra a República Islâmica.
Mais de quatro meses depois, e em pleno cessar-fogo acordado com Washington, o Irão organiza as maiores cerimónias fúnebres da sua história, em homenagem ao homem que liderou a nação durante 36 anos.
As cerimónias terão lugar em cinco cidades do Irão e nas cidades sagradas xiitas de Kerbala e Najaf, no Iraque, ao longo de seis dias.
A urna do guia religioso, agora tratado como “líder mártir”, foi mostrada ao público na última madrugada entre clamores dos seguidores e uma chuva de pétalas de flores, antes de ser conduzido para a mesquita de Mosalla, coberta com a bandeira iraniana e adornado com um turbante preto (símbolo dos descendentes de Maomé) e um lenço palestiniano.
Junto da urna de Ali Khamenei jaziam os corpos de quatro membros da família mortos no mesmo ataque, incluindo a neta de 03 anos e a mulher do filho e sucessor, que não é visto em público desde a nomeação em 08 de março.
Vários relatos indicam que Mojtaba Khamenei ficou ferido, sendo incerto o seu estado de saúde, embora tenha dirigido várias declarações por escrito à nação nos últimos meses, através da televisão estatal.
Desde manhã cedo, um cortejo de líderes estrangeiros, incluindo os primeiros-ministros do Paquistão e da Arménia, os Presidentes do Iraque, do Tajiquistão e da Geórgia, bem como representantes de Rússia, China, Síria, Líbano, Afeganistão, Marrocos, Qatar, Omã, Arábia Saudita, Nicarágua e Cuba, desfilou perante a urna de Ali Khamenei para prestar a homenagem ao antigo clérigo iraniano.
Não foi conhecida a presença de nenhum representante europeu.
Autoridades de Teerão estiveram igualmente no local, entre os quais o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que chorou diante do caixão juntamente com o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chefe do poder judicial iraniano, Golam Hossein Mohseni Eyei.
Os mais altos oficiais militares também renovaram lealdade à Revolução Islâmica e o comandante do Exército, Amir Hatami, jurou que o país “vingaria o sangue do líder mártir”.
O responsável da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, que não era visto em público desde fevereiro, também apareceu em Mosala.
A capital iraniana está em alerta máximo, com uma forte presença policial nas ruas, restrições no espaço aéreo e um perímetro de segurança de 1,5 quilómetros em redor da mesquita, com acesso condicionado em toda a área.
Depois dos acontecimentos de hoje, será realizado um velório no sábado e no domingo na mesquita de Mosalla, e na segunda-feira o cortejo fúnebre vai percorrer a capital.
Na terça-feira, seguirá para a cidade sagrada de Qom, no dia seguinte para o Iraque e, finalmente, na quinta-feira, Khamenei será sepultado em Mashhad, no nordeste do país, no mausoléu do imã Rezae.
As autoridades preveem a participação de cerca de 20 milhões de pessoas só em Teerão para se despedirem de Khamenei, ultrapassando os 10 milhões que compareceram no funeral do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini, em 1989.
Estes eventos visam projetar o apoio popular à República Islâmica e à unidade nacional depois de quatro meses de guerra com os Estados Unidos e Israel, além de uma imagem de continuidade do regime com o slogan, exibido em numerosos cartazes por toda a cidade: “Devemos levantar-nos”.
Apesar das demonstrações de apoio, muitos iranianos opõem-se à República Islâmica, reclamam liberdades e não se esqueceram da repressão dos protestos antigovernamentais em janeiro, que provocou milhares de mortos e detidos.
Estas cerimónias ocorrem durante um frágil cessar-fogo aceite pelos Presidentes dos Estados Unidos e do Irão, em 17 de junho, apesar das objeções de Israel, e que lançou um período de 60 dias de negociações com vista a um acordo de paz definitivo.
As conversações estão centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.
O diálogo foi ameaçado nos dias seguintes à assinatura do acordo preliminar por ataques de ambos os lados, bem como pela continuação da ofensiva de Israel no Líbano contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão.
Leia Também: Irão: Diáspora convoca ação global para defender fim da República Islâmica



