“Para Portugal, e muito em particular para a cidade de Lisboa, esta não é uma crise distante. A Venezuela acolhe uma das maiores e mais vibrantes comunidades portuguesas no mundo, estimada oficialmente em 600 mil cidadãos, embora os registos da própria comunidade apontem para perto de 1,2 milhões de pessoas”, realça o voto de pesar apresentado pela Mesa da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), presidida por André Moz Caldas (PS).
No voto, a AML refere que os dois sismos registados na noite de quarta-feira na Venezuela atingiram “severamente a capital, Caracas, e a região costeira de La Guaira”, indicando que foram já confirmados como “os mais fortes” terramotos no país no último século.
“O cenário de destruição, agravado por centenas de réplicas, é dramático: inúmeros edifícios colapsaram e o número de vítimas a lamentar é ainda incerto, mas na ordem dos muitos milhares”, afirma a Mesa da AML.
Os dados oficiais mais recentes apontam para 1.719 vítimas mortais, mais de 5.000 mil feridos e mais de 50 mil desaparecidos, “numa contagem trágica que continua a agravar-se à medida que as buscas avançam nos escombros”, lê-se no voto.
O último balanço do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirma hoje que há 60 portugueses e lusodescendentes mortos e 87 desaparecidos, sendo a comunidade com mais vítimas mortais entre cidadãos estrangeiros.
O voto da AML recorda que a comunidade portuguesa na Venezuela foi construída ao longo de gerações, sobretudo através das grandes vagas migratórias entre as décadas de 1940 e 1980, e “está profundamente enraizada no tecido social e económico venezuelano”.
Destaca ainda que é uma comunidade “com laços indissociáveis de Lisboa, onde residem tantos dos seus familiares e para onde muitos têm regressado”.
Por isso, a AML acompanha “com profunda dor e consternação” esta tragédia na Venezuela.
A AML fez ainda um minuto de silêncio em memória de todas as vítimas do sismo e decidiu remeter o voto de pesar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, à Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, ao Governo Regional da Madeira, à embaixada da Venezuela em Lisboa e à embaixada de Portugal em Caracas.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram na quarta-feira a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.
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