A acusação consta do relatório final de uma investigação, divulgada na sexta-feira, e conduzida pela PF a pedido do juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O Ministério Público Federal deverá agora decidir se prossegue a acusação e solicitar ao STF a abertura de um processo por difamação contra o filho mais velho do ex-Presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à presidência do Brasil.
O senador de extrema-direita recorreu à rede social X, em 3 de janeiro, para atribuir ao líder brasileiro crimes como tráfico de drogas, branqueamento de dinheiro, além de associar Lula ao do líder venezuelano Nicolás Maduro.
“Lula será delatado. É o fim do foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”, escreveu.
Flávio Bolsonaro fez o comentário ao compartilhar dois ‘prints’ do noticiário daquele dia: uma imagem de Nicolás Maduro sendo capturado por forças militares dos Estados Unidos e a reportagem que revelava que o Governo brasileiro tinha convocado uma reunião de emergência, após a captura do líder venezuelano.
“É claro, portanto, que o senador Flávio Bolsonaro, através da sua publicação, acusou falsamente o Presidente Lula de cometer os crimes mencionados, que estão expressamente definidos no nosso Código Penal”, afirmou a PF no relatório final.
A eventual abertura de um processo contra Bolsonaro poderá ter impacto nas eleições presidenciais de outubro, nas quais Lula procurará a reeleição e cujo principal rival, segundo as sondagens, é o senador de extrema-direita.
Até há poucas semanas, os dois candidatos pareciam estar praticamente empatados nas sondagens para uma possível segunda volta, mas nas últimas sondagens, Lula está a liderar com até seis pontos de vantagem sobre Bolsonaro.
O presidente distanciou-se do rival após a divulgação de conversas em que o senador pede a um banqueiro, preso e acusado de uma das maiores fraudes do país nas últimas décadas, fundos para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
Desde que assumiu o mandato, Lula da Silva fez várias aproximações a Nicolás Maduro e à Venezuela, sendo alvo de críticas da oposição, em especial de políticos “bolsonaristas”, o que resultou num desgaste para a imagem do Palácio do Planalto.
Em abril, após a abertura da investigação, a assessoria de imprensa do senador informou, em comunicado, que Flávio Bolsonaro “recebe com profunda estranheza a decisão” e garantiu que o parlamentar não imputou crimes a Lula da Silva.
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