Confirma-se: o Banco Central Europeu (BCE) anunciou, esta quinta-feira, um aumento das três taxas de juro diretoras em 25 pontos base. A decisão já era esperada pelos analistas e vai ter impacto na prestação da casa daqueles que têm crédito à habitação com taxa variável. Trata-se do primeiro aumento em quase três anos, desde setembro de 2023.
“O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) está empenhado em definir a política monetária de modo a assegurar que a inflação estabiliza no objetivo de 2% a médio prazo. Em consonância com este compromisso, decidiu hoje aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base“, pode ler-se num comunicado.
A instituição acrescenta que a “guerra no Médio Oriente está a gerar pressões inflacionistas e a decisão de aumentar as taxas de juro apresenta-se robusta face a um conjunto de cenários, que mapeiam a forma como o choque poderá evoluir e afetar as perspetivas de médio prazo para a área do euro“.
De acordo com o BCE, “as perspetivas mantêm-se incertas, com riscos em sentido ascendente para a inflação e em sentido descendente para o crescimento económico“.
“As plenas implicações da guerra para a inflação e o crescimento a médio prazo dependerão da intensidade e da duração do choque sobre os preços dos produtos energéticos, assim como da magnitude dos seus efeitos indiretos e de segunda ordem. Esta incerteza espelha-se igualmente no vasto leque de resultados para a inflação e o crescimento nos cenários ilustrativos atualizados elaborados por especialistas do Eurosistema”, pode ler-se no mesmo comunicado.

Membro do BCE considera necessário subir juros devido à guerra
A membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu (BCE) Isabel Schnabel considerou que é necessário aumentar as taxas de juro na zona euro, atualmente em 2%, para fazer face à inflação decorrente da guerra no Irão.
Lusa | 11:36 – 26/05/2026
Afinal, quais são as taxas diretoras do BCE?
O Conselho do BCE decidiu aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base, o que significa que “as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez serão aumentadas para, respetivamente, 2,25%, 2,40% e 2,65%, com efeitos a partir de 17 de junho de 2026“.
O BCE explica que “está preparado para ajustar todos os instrumentos ao seu dispor, no âmbito do seu mandato, com vista a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo e a preservar o bom funcionamento da transmissão da política monetária”.
“Além disso, o Instrumento de Proteção da Transmissão está disponível para contrariar dinâmicas de mercado desordenadas, injustificadas e passíveis de representar uma ameaça grave para a transmissão da política monetária em todos os países da área do euro, permitindo, assim, ao Conselho do BCE cumprir mais eficazmente o seu mandato de estabilidade de preços”, pode ler-se.

BCE deve rever em alta previsões da inflação em junho devido à guerra
O BCE deverá rever em alta as suas previsões de inflação em junho, devido às tensões relacionadas com a guerra no Médio Oriente, disse hoje o seu economista-chefe, sem comentar um eventual aumento das taxas de juro.
Lusa | 14:31 – 26/05/2026
[Notícia atualizada às 13h24]
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