Desde o início da guerra contra o Irão espoletada pelos Estados Unidos e por Israel no dia 28 de fevereiro, o uso da Base das Lajes, localizada na ilha da Terceira, nos Açores, tem estado no centro das atenções, devido às operações militares norte-americanas, com vários partidos e organizações a pedirem esclarecimentos ao Executivo de Luís Montenegro.
Entretanto, declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, deixaram o país em ‘alvoroço’, tendo o PS, inclusive, pedido uma audição parlamentar ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Afinal, o que está a acontecer?
Após várias críticas e questões, no dia 2 de março, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que Portugal havia dado uma “autorização condicional” para os Estados Unidos utilizarem a base militar, já depois do início do ataque, apontando como requisitos que a infraestrutura só podia ser utilizada “em resposta a um ataque, num quadro de defesa ou retaliação”, que a ação tinha de ser “necessária e proporcional” e que só podia “visar alvos de natureza militar”.
Cerca de um mês depois, Paulo Rangel reiterou no Parlamento que a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos (EUA) cumpria os critérios do Direito Internacional e que Portugal não estava envolvido nesta operação contra o Irão.
“O que fizemos foi justamente impor os critérios do Direito Internacional”, afirmou Paulo Rangel, durante uma audição na comissão de Assuntos Europeus, questionado pelo PS sobre o uso da Base das Lajes, nos Açores, pelos EUA.
Rubio diz que Portugal autorizou uso das Lajes “antes mesmo” do pedido
Já na quinta-feira, dia 14 de maio, o assunto ganhou novos contornos depois de uma entrevista do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, à Fox News.
“Para ser justo, há países na NATO que nos foram muito prestativos. Para citar apenas um, Portugal. Eles disseram que sim antes mesmo de perguntarmos”, afirmou, a bordo do Air Force One, durante a deslocação à China com o presidente norte-americano, Donald Trump.
SECRETARY RUBIO: Are we in NATO only to protect them and not to further our national interest? This is a very legitimate question that we need to address. pic.twitter.com/2IaRe1Dyy8
— Department of State (@StateDept) May 14, 2026
No mesmo dia, foi enviada uma nota de esclarecimento às redações, onde o ministério tutelado por Paulo Rangel explicou que “o pedido a Portugal para a utilização da Base das Lajes só foi feito depois do ataque ao Irão”.
Nesse sentido, “a declaração do secretário de Estado Marco Rubio não se aplica, pois, de todo a Portugal e não sabemos se se aplica a algum dos outros países a que se referiu”, clarificou a tutela.

Portugal autorizou uso das Lajes “antes mesmo” do pedido? Ministro nega
Marco Rubio elogiou Portugal por ter dito que “sim antes mesmo” da pergunta dos EUA. Mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros desmente, assegurando que o Governo português só autorizou a utilização da Base das Lajes “mediante condições”.
Tomásia Sousa | 19:33 – 14/05/2026
Portugal é “apêndice dos EUA”?
Durante o plenário desta sexta-feira, requerido pelo PCP, na Assembleia da República, o tema voltou à tona devido às declarações de Marco Rubio.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou que o Governo defende a soberania nacional e age respeitando os “mecanismos legais aplicáveis à utilização do território nacional”, depois de o PCP defender que Portugal “não é um apêndice” norte-americano.
Esta posição foi assumida na intervenção de abertura do debate em plenário sobre soberania nacional e defesa da paz, depois de o secretário-geral comunista, Paulo Raimundo, ter defendido que Portugal deve “romper com o coro da loucura da guerra” e que o país não é “um apêndice dos EUA e da NATO, mesmo que o Governo e Marco Rubio achem outra coisa”.
“Governo português agachou-se sempre, ficou sempre nas encolhas”
Em reação, o Partido Socialista (PS) e o Bloco de Esquerda (BE) acusaram o Governo português de subserviência face às operações militares dos Estados Unidos. No entanto, o ministro dos Assuntos Parlamentares rejeitou e assegurou que Portugal cumpre as leis e está fora do conflito.
“O Governo acabou por conduzir o país a uma humilhação de dimensão planetária. O Governo português agachou-se sempre, ficou sempre nas encolhas. Nunca foi claro”, acusou o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias.
Eurico Brilhante Dias referiu também que a guerra “começou com um ataque ao Irão que violou o Direito Internacional e o Governo só informou os partidos da oposição quando o Irão já estava a ser bombardeado”.
“Ontem [quinta-feira], o secretário de Estado [Marco Rubio] vem dizer que Portugal não é apenas um país que colabora, é um país que não pergunta”, acrescentou o presidente da bancada do PS.
Por sua vez, o deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, afirmou: “Chega de mentiras”.
“A Base das Lajes é um entreposto logístico para uma guerra ilegal que Portugal permite sem perguntar rigorosamente nada. Na propaganda norte-americana, o Governo transformou Portugal numa lapela da guerra ilegal e devia ter vergonha por causa disso. Os portugueses merecem respeito, porque estão a pagar as consequências dessa guerra ilegal”, disse.

PS e BE criticam subserviência a EUA: “Humilhação de dimensão planetária”
PS e BE acusaram hoje o Governo português de subserviência face às operações militares dos Estados Unidos, mas o ministro dos Assuntos Parlamentares rejeitou e assegurou que Portugal cumpre as leis e está fora do conflito.
Lusa | 11:19 – 15/05/2026
Paulo Rangel chamado à Assembleia da República? CPI?
Depois de acusar o Governo de ter levado o país a uma “humilhação à escala planetária” por causa do uso da Base das Lajes, o PS pediu uma audição parlamentar do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
“O país viveu, desde aquele momento, agachado, de cócoras, e isto é particularmente grave, e por isso o Partido Socialista chamará o senhor ministro Paulo Rangel à Comissão de Negócios Estrangeiros. Se for entendido que uma parte deve ser à porta fechada, por questões da defesa e segurança nacional, assim será”, disse aos jornalistas o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, no Parlamento.
Entretanto, o PCP propôs a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o envolvimento português no ataque norte-americano e israelita ao Irão com foco no uso das Base das Lajes pelos Estados Unidos.
A proposta foi anunciada pela líder parlamentar do PCP, Paula Santos, na intervenção de encerramento do debate desta manhã em plenário.
“Há agradecimentos que são autênticas provas do crime. Bem pode vir aqui desmentir, só falta dizer que a base das Lajes não fica em Portugal, mas esta confissão deita por terra toda a narrativa do Governo. Tudo isto só vem dar razão ao PCP quando coloca a necessidade de se apurar de facto o que se passou. Não nos venham entreter com histórias da carochinha”, lamentou a líder da bancada comunista, Paula Santos, numa referência às palavras de Rubio, depois de referir que a justificação dada pelo Governo “não colhe”.
Na proposta, que foi submetida esta sexta-feira e a que a Lusa teve acesso, a bancada comunista propõe que este inquérito parlamentar se debruce sobre a “decisão do Governo português de se envolver na agressão militar dos EUA e Israel ao Irão, com as suas consequências”.

PS pede audição de Rangel para debater “humilhação à escala planetária”
O PS acusou hoje o Governo português de ter levado o país a uma “humilhação à escala planetária” por causa do uso da Base das Lajes e pediu a audição parlamentar do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Lusa | 11:49 – 15/05/2026



