Esta troca de argumentos foi feita no debate desta tarde em plenário, no parlamento, uma interpelação ao Governo, agendada pelo PCP, sobre as condições de vida dos trabalhadores e o pacote laboral, em que o executivo está representado pelo secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, e o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim.
O deputado do PS Miguel Cabrita afirmou que o Governo quer “impor aos jovens, aos trabalhadores, às famílias, uma contrarreforma laboral que escondeu de todos e que não tem nem legitimidade política, nem fundamentos para avançar”.
O socialista argumentou que a proposta do executivo não constava no programa eleitoral da AD e que “nem em campanha, nem em momento algum o Governo insinuou sequer o aí vinha”, e que assim foi para impedir consequências eleitorais.
“A AD e o Governo nunca falaram de nenhuma destas coisas, nem de muitas outras que estão na proposta. E não falaram porque sabiam que não ganhariam as eleições”, atirou.
Em nome do PSD, a deputada Isaura Morais considerou que o Governo “tem muito trabalho pela frente” para que o país possa “pagar ordenados que permitam às pessoas viverem bem e às empresas contratarem sem receio do dia de amanhã”.
A social-democrata defendeu que o país precisa de um “mercado dinâmico, com bons vencimentos e empresas competitivas” e pediu que a “cegueira ideológica de alguns não impeça os portugueses de terem uma vida melhor”.
“Os portugueses vão julgar quem os impedir de alcançar o sonho de uma vida melhor”, avisou.
Isaura Morais disse ainda recusar a “instrumentalização do parlamento para promover as lutas na rua e as greves promovidas pelo braço armado do PCP”, referindo-se à CGTP.
Posteriormente, a deputada do PSD Carla Barros desafiou o partido de André Ventura a posicionar-se sobre o que considera serem as consequências positivas que resultarão das mudanças que o Governo quer fazer no Código do Trabalho, pedindo que se deixe de “jogo político”.
António Carneiro, do Chega, referiu que o pacote laboral chegou ao parlamento com o “pecado original” de não reunir acordo na concertação social e defendeu que o país precisa de uma modernizar o seu mercado de trabalho, mas sem precarizar.
“Os trabalhadores portugueses querem ganhar melhor, pagar menos impostos e ter emprego estável e conseguir viver com a dignidade do seu trabalho. O Chega defende trabalhadores livres, valorizados e respeitados”, disse.
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