O presidente da China, Xi Jinping, aterrou esta quarta-feira na Base Aérea de Andrews, nos Estados Unidos, onde foi recebido pelo seu homólogo norte-americano, Donald Trump.
Xi vai realizar uma visita de Estado aos Estados Unidos entre quarta-feira e sexta-feira, 25 de setembro, a convite de Trump. Esta é a sua primeira visita ao país em mais de uma década.
Num gesto raro para um presidente norte-americano, Trump foi até à pista na Base Aérea Andrews, nos arredores de Washington, para saudar o homólogo, em vez de esperar que o convidado chegasse à Casa Branca, na sua primeira visita de Estado à capital.
Empenhado em homenagear o líder chinês, o presidente norte-americano e a primeira-dama, Melania Trump, participaram na cerimónia de chegada de Xi e da sua mulher, Peng Liyuan, no início de uma visita de três dias que promete ser repleta de pompa, mesmo para os padrões da Casa Branca, como pode ver na galeria acima.
A visita de Estado — que inclui um jantar oficial na Casa Branca na quinta-feira — pretende retribuir a grandiosidade cerimonial que marcou a visita de Trump à China, em maio.
A demonstração de pompa ocorre num momento de elevada tensão entre os dois rivais geopolíticos, motivada por questões como o comércio, a inteligência artificial, o confronto de Trump com o Irão e as ambições da China em relação a Taiwan.
Além de procurar manter a “estabilidade estratégica” entre os dois países, Trump tem tecido muitos elogios a Xi, chamando-lhe “grande líder” e descrevendo uma relação calorosa com aquele a quem chama amigo — enquanto evita confrontar o presidente chinês em questões sensíveis, apesar de pressões nesse sentido do seu próprio partido.
O senador republicano Roger Wicker, presidente da Comissão dos Serviços Armados do Senado, criticou a “receção sumptuosa” a Xi, questionando “os objetivos da enorme expansão militar da China ou o claro apoio chinês ao Irão”.
Trump não deveria ter convidado o líder chinês, “dadas todas as questões preocupantes que temos em relação ao presidente Xi e ao Partido Comunista Chinês”, defendeu Wicker num discurso no Senado, na terça-feira.
“A cada minuto de diálogo” com Xi, Trump deveria ter em mente que “o seu convidado é um ditador brutal, opressor e não eleito, que procura dominar os seus vizinhos e cujo vasto arsenal militar está apontado diretamente para os Estados Unidos da América”, disse o senador do partido do presidente.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, argumentou que Washington e Pequim precisam de interagir aos mais altos níveis, uma vez que são “as duas maiores economias do mundo” e “provavelmente as duas maiores potências militares do planeta”.
“A ideia de não interagirmos com eles aos mais altos níveis é irresponsável. É um disparate. Temos de o fazer”, disse hoje Rubio aos jornalistas em Nova Iorque.
A cerimónia de receção de Xi no aeroporto será seguida, na quinta-feira, por mais formalidades, incluindo uma cerimónia de chegada à Casa Branca e uma revista às tropas.
Espera-se que os dois líderes se debrucem à porta fechada sobre questões como o comércio e a inteligência artificial (IA), antes de um jantar de gala — que contará com a presença de líderes do setor tecnológico, como Jensen Huang (Nvidia) e Elon Musk (SpaceX).
Na sexta-feira, Xi e Peng regressarão à Casa Branca para um chá com o casal Trump, antes de os acompanharem numa visita aos Arquivos Nacionais, em Washington. A Casa Branca informou que vão examinar documentos históricos que sublinham a relação entre os dois países.
Contudo, são baixas as expectativas de que a visita resulte em avanços significativos na relação.
O embaixador chinês nos Estados Unidos, Xie Feng, afirmou hoje que Taiwan, o sistema político chinês e o “direito ao desenvolvimento” do país asiático são “linhas vermelhas” que Washington não deve desafiar.
Num artigo publicado no Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), Xie defendeu que a visita de Estado de Xi deve servir para “avançar” na relação de “estabilidade estratégica construtiva” acordada pelos dois líderes em Pequim, em maio passado.
Em matéria de IA, Xie apelou a que se evite uma nova “cortina de silício” e rejeitou uma “guerra das estrelas” neste setor, numa referência à rivalidade tecnológica entre as duas potências.
Em paralelo, um editorial no mesmo jornal assinado por “Zhong Sheng”, pseudónimo utilizado para veicular posições da liderança chinesa sobre política externa, instou Washington a manter a “continuidade” e a “estabilidade” da sua política em relação à China e a “valorizar o atual impulso positivo, alcançado com esforço, para manter o rumo correto”.
[Notícia atualizada às 23h33]

Xi e Trump deverão procurar distensão para evitar nova guerra comercial
A aguardada reunião entre os Presidentes da China e dos Estados Unidos deverá decorrer esta semana num clima de distensão, com ambos os líderes interessados em evitar o regresso a uma guerra comercial aberta, segundo o analista Jörg Wuttke.
Lusa | 10:12 – 23/09/2026



