“Penso que é moral e politicamente correto apoiar o partido Yabloko. Este é o momento de deixarmos de lado as diferenças do passado e ajudarmos. Vamos tentar frustrar os planos do Kremlin”, disse Navalnaya num vídeo divulgado nas suas redes sociais.
A opositora, que reside na Alemanha com os filhos, pediu aos cidadãos russos que “não lutem desta vez”, nem “discutam sobre os alegados defeitos do Yabloko”, referindo-se às constantes divergências e intrigas entre a oposição russa no exílio.
“Devemos considerar as próximas eleições, por mais injustas que possam ser, como a única oportunidade legal e segura em muitos anos para expressar o nosso descontentamento com o Governo. Isso pode ser conseguido votando num partido que adota uma postura antibelicista”, sustentou Yulia Navalnaya, que assumiu o legado da plataforma dissidente do marido após a morte deste numa prisão do Ártico, em fevereiro de 2024.
Uma das coisas que tornaram Alexei Navalny conhecido na Rússia foi a criação da plataforma “Smart Vote (Voto Inteligente)”, através da qual os cidadãos russos podiam ver qual o candidato que tinha mais hipóteses de derrotar o partido no poder, Rússia Unida, considerado o partido do Presidente russo, Vladimir Putin.
Dessa forma, sabendo quão difícil seria vencer umas eleições na Rússia, dada a magnitude da corrupção política, os opositores tentaram minar o partido do Kremlin.
Após a revelação de que o Yabloko tinha passado pelo processo de seleção da Comissão Eleitoral Central (CEC) para as eleições da Duma (câmara baixa do parlamento), marcadas para 20 de setembro, o partido liberal, ativo desde a década de 1990, enfrentou fortes críticas de outros políticos russos proeminentes.
“Não podemos permitir que esse partido utilize a campanha eleitoral para fins antirrussos”, sustentou Serguei Mironov, líder do partido Rússia Justa, acrescentando que os membros do Yabloko demonstraram em diversas ocasiões ser, “dissimulada ou abertamente, traidores da pátria”.
Mironov acusou o Yabloko, que defende o fim dos combates e o início de negociações de paz com a Ucrânia, de “vender” a Rússia ao Ocidente, apoiar “agentes estrangeiros” e opor-se à chamada “operação militar especial”.
O Yabloko, que adotou como lema de campanha “Pela Paz e Pela Liberdade”, apresentou 269 candidatos em listas partidárias e 135 em círculos eleitorais.
Embora tenha recebido a aprovação da CEC, as listas do Yabloko foram rejeitadas pelas comissões eleitorais locais no caso das assembleias municipais de São Petersburgo e da capital da região noroeste da Carélia, onde tem o maior número de apoiantes.
Além disso, várias dezenas dos seus candidatos mais populares, incluindo o seu líder, Nikolai Rybakov, foram excluídas por criticarem a guerra ou por extremismo, por publicarem nas redes sociais imagens do antigo líder da oposição russa, Alexei Navalny.
As autoridades e outros partidos do sistema temem que o Yabloko aglutine o voto de protesto contra a guerra na Ucrânia, que dois terços dos russos querem que termine o mais rapidamente possível, segundo as sondagens.
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