“Comunhão: Encontrando o Meu Caminho de Volta à Fé” é lançado hoje, terça-feira, pela Harper, e a agência de notícias Associated Press conseguiu uma cópia antes do lançamento.
A editora da HarperCollins publicou também “Hillbilly Elegy”, as memórias mais vendidas de 2016, que ajudaram a tornar Vance numa figura nacional.
O atual vice-presidente dos EUA tem vindo a trabalhar, com interrupções, no seu novo livro desde então, uma década tumultuosa que incluiu um filme de Hollywood sobre a sua juventude, um breve período como senador dos EUA pelo Ohio e agora como um dos braços direito de Donald Trump.
Não há muito sobre Trump ou outras histórias internas dos anos políticos de Vance, embora ele expresse arrependimento por ter criticado as “senhoras dos gatos sem filhos” do Partido Democrata, um comentário que voltou para assombrá-lo na atualidade.
Em vez disso, “Comunhão” serve como uma espécie de manifesto sobre o papel da religião na vida pública.
Vance escreve sobre a sua transição do cristianismo protestante para o ateísmo e depois para o catolicismo, e atribui à sua fé a sensação de propósito que não obteve através da sua educação na Universidade de Yale ou ao trabalhar na indústria financeira.
O livro chega às prateleiras das livrarias menos de cinco meses antes das eleições intercalares que irão moldar os últimos dois anos da segunda presidência de Trump.
As eleições intercalares também marcarão o início não oficial da próxima campanha presidencial, na qual se espera que Vance seja um candidato.
O vice-presidente recordou a “fusão” entre religião e política. Vance escreveu: “a fusão entre a política republicana e o cristianismo da minha juventude”.
Naquela altura, registou Vance, “ouvia bastante sobre os males do aborto e da homossexualidade,” bem como sobre as “supostas falhas morais” do então presidente Bill Clinton.
Juntamente com estas observações religiosas, Vance disse que sentia que estava “a começar a testemunhar o início de uma fissura no Partido Republicano: entre as suas elites empresariais e a sua base religiosa”.
Isso é algo, continuou Vance, que “eventualmente levaria à minha eleição como vice-presidente”.
A avó de Vance – a sua “avozona”, como lhe a chama – foi uma figura central na sua vida, e a morte dela levou-o a atrofiar o seu cristianismo. “Com ela ausente, ninguém se importava realmente com a minha fé, e depressa deixei de me importar também”, escreveu.
O cristianismo tornou-se “completamente irrelevante” para ele, incluindo quando serviu no Iraque, nos Fuzileiros Navais.
No final do seu serviço, em 2006, Vance escreveu que “já não era, em qualquer sentido real, cristão”.
Mas, uma experiência de quase morte ajudou a moldar a fé de Vance.
Ao regressar à sua base militar, após o funeral da avó, Vance escreveu que perdeu o controlo do carro numa estrada escorregadia pela chuva, mas parou inexplicavelmente antes de embater numa grade de proteção e potencialmente cair pela encosta de uma montanha.
Esta, considerou, foi “a experiência mais próxima que alguma vez cheguei de uma experiência sobrenatural” e a sensação permaneceu “mesmo durante os meus anos mais tardios como ateu convicto”.
Quando o seu serviço militar terminou, um colega apresentou a Vance o trabalho da autora Ayn Rand, cuja noção da virtude do egoísmo se situava “em completo contraste com a moral cristã como nada que alguma vez tivesse lido”.
Esta ideia agradou a Vance, escreveu ele, notando que a filosofia de Rand “preencheu um vazio deixado pela fé que eu tinha abandonado” e que o tornou um “ateu e meritocrata confesso”.
“Eu não me importava com a vontade de Deus,” escreveu. “Eu importava-me com a minha própria”, acrescentou.
Mas, também escreveu como a discussão sobre a morte, desencadeada pelo livro de Joan Didion “The Year of Magical Thinking,” destacou a suas divisões diferentes sobre a vida após a morte
Peter Thiel foi um ponto de viragem no meio disto. Vance escreveu que assistiu a uma palestra de Peter Thiel, um investidor do Vale do Silício que viria a ser um dos primeiros apoiantes políticos de Vance. Ficou impressionado com a discussão de Thiel sobre a híper competição entre profissionais, acompanhada de “estagnação tecnológica.”
“Possivelmente a pessoa mais inteligente que alguma vez conheci, ele identificava-se muito abertamente como cristão,” escreveu Vance, acrescentando que Thiel “desafiava o simples modelo social que eu tinha construído – que pessoas estúpidas eram religiosas e pessoas inteligentes eram ateias.”
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