O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, apresentou a proposta durante um encontro, em Varsóvia, com o homólogo polaco, Radoslaw Sikorski, manifestando disponibilidade para encontrar soluções através de um “diálogo honesto”.
Segundo Sybiga, as medidas incluem consultas regulares entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países, a realização de encontros entre historiadores e o aprofundamento do diálogo entre líderes religiosos ucranianos e polacos.
O chefe da diplomacia ucraniana afirmou que, nos últimos 18 meses, foram registados “progressos significativos” na resolução de questões históricas sensíveis, incluindo a localização e identificação de valas comuns da Segunda Guerra Mundial.
Por seu lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros polaco defendeu a necessidade de reduzir as tensões e de criar mecanismos permanentes de diálogo assentes numa compreensão comum da história.
Em comunicado, a diplomacia polaca indicou que Sikorski e Sybiga concordaram que “a chave para a melhoria das relações” passa por um diálogo histórico assente “na verdade e no respeito pelo passado”, destacando os progressos alcançados no processo de exumação de vítimas polacas da Segunda Guerra Mundial.
Essas exumações, iniciadas no ano passado após anos de reivindicações de Varsóvia, visam localizar e identificar polacos mortos por organizações nacionalistas ucranianas durante o conflito, num processo que anteriormente enfrentava a oposição das autoridades de Kyiv.
As relações entre Varsóvia e Kyiv deterioraram-se depois de o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter atribuído o nome do Exército Insurgente Ucraniano a uma unidade militar.
A organização nacionalista, ativa durante a Segunda Guerra Mundial, é responsabilizada pela morte de mais de 100 mil civis polacos na região da Volínia e é também associada à colaboração com a Alemanha nazi e à perseguição de judeus.
As tensões agravaram-se depois de as autoridades ucranianas anunciarem a criação de um panteão de “heróis nacionais”, que vai incluir figuras nacionalistas como Andriy Melnyk.
Em resposta, o Presidente da Polónia, Karol Nawrocki, anunciou no final de junho a revogação da Ordem da Águia Branca atribuída a Zelensky.
Questionado sobre a possibilidade de a Polónia bloquear o processo de adesão da Ucrânia à UE, caso Kyiv mantenha a atual política de memória histórica, Sikorski evitou responder diretamente, acrescentando apenas esperar que a Ucrânia homenageie figuras históricas que possam ser consideradas heróis por ambos os países e não personalidades que aprofundem as divisões.
Sikorski criticou ainda, sem o mencionar diretamente, o Presidente polaco, Karol Nawrocki, ao censurar aqueles que, na sua opinião, utilizam as tensões com a Ucrânia para obter ganhos políticos internos.
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