O T24 afirmou ter tomado conhecimento da decisão do Ministério da Justiça turco, divulgada por vários meios de comunicação social, sem ter sido oficialmente notificado.
O site do T24 ainda estava acessível hoje e indicava não saber se a medida abrangia “todas as suas publicações, para além das suas contas nas redes sociais”.
Na página inicial do site era possível ler um artigo no qual era mencionado que o T24 seria encerrado “na sequência de uma campanha de difamação lançada nas redes sociais!”.
“Há já algum tempo que se tem vindo a desenrolar uma campanha difamatória contra o T24, orquestrada por certas contas no X”, adiantou a publicação.
“A mesma imagem de vídeo e o mesmo texto, divulgados por diferentes contas, afirmavam: ‘Desta vez, o debate em torno do discurso da liberdade de imprensa gira em torno dos fundos alegadamente transferidos para o T24. O público questiona as origens desses fundos, os seus objetivos e a sua relação com a política editorial. O T24, que se destaca pelas suas publicações que visam a nossa estrutura familiar, nomeadamente através de conteúdos LGBT, tem uma intenção clara'”, acrescentou o T24, citando o texto publicado por contas na rede social X, que acusa de uma campanha de difamação.
Por sua vez, de acordo com o comunicado do Ministério da Justiça turco, “as contas na Internet e nas redes sociais do T24, um portal de notícias ‘online’ que publicou 118 conteúdos de propaganda LGBT no ano passado, foram encerradas pelo Tribunal de Primeira Instância de Istambul. A decisão foi transmitida à Direção de Cibersegurança para execução”.
A 12 de setembro, foi conduzida uma vasta operação contra a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros) na Turquia, que antecedeu o encerramento de um grande número de contas nas redes sociais.
As autoridades procederam posteriormente a novas detenções na sequência de manifestações nas três maiores cidades do país: Ancara, Istambul e Esmirna (oeste).
A homossexualidade não é punida criminalmente na Turquia, mas é amplamente condenada e a homofobia está generalizada até aos mais altos escalões do Estado.
O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, refere-se regularmente às pessoas da comunidade LGBT como “perversas”, às quais atribui a queda drástica da natalidade.
O T24 foi fundado em 2009, está sediado em Istambul e autodenomina-se o “maior site de notícias independente da Turquia”.
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