Num memorando de segurança presidencial, Donald Trump orienta o Pentágono e a Marinha a apresentarem planos para remover o Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves (EMALS, na sigla em inglês) no prazo de dois meses.
Determina também a substituição dos elevadores eletromagnéticos de transporte de armas dos porta-aviões da classe Ford.
Esta deliberação pode custar milhares de milhões de dólares e levar a que os navios mais avançados da Marinha voltem a operar um sistema que exige mais tripulantes e é mais difícil de manter.
A medida surge após anos de críticas de Trump ao novo sistema de catapulta magnética que lança caças a partir do convés dos porta-aviões.
Além disso, ocorre numa altura em que as forças armadas procuram financiamento do Congresso para os equipamentos que desejam e que a Marinha enfrenta dificuldades para encontrar militares suficientes para os seus navios.
Segundo o líder norte-americano, o regresso ao sistema antigo nos porta-aviões visa “corrigir problemas de longa data nos programas de construção e reparação naval da Marinha”, numa altura em que conflitos recentes, incluindo a guerra no Irão, evidenciaram dificuldades decorrentes do envelhecimento dos navios e dos longos atrasos nas entregas.
No memorando, Trump descreve uma “base industrial naval estagnada”, que torna a construção e reparação de navios de guerra mais lenta e dispendiosa.
O Pentágono deverá, assim, substituir os sistemas de lançamento de aeronaves EMALS por sistemas hidráulicos e a vapor.
O EMALS foi concebido para equipar os navios da classe Gerald Ford e já está instalado no primeiro desta frota, o “USS Gerald Ford”, o maior porta-aviões do mundo.
O primeiro navio afetado pela decisão seria o “USS Doris Miller”, um modelo de última geração movido a energia nuclear, com entrega prevista para 2034.
Os outros dois navios da classe Ford, o “USS Kennedy” e o “Enterprise”, que deverão entrar ao serviço antes do “Doris Miller”, também estariam equipados com o EMALS.
O EMALS “visa aumentar as capacidades operacionais dos porta-aviões desta classe, permitindo à Marinha norte-americana lançar todas as plataformas aéreas embarcadas atuais e futuras, desde drones ligeiros a caças de ataque pesado”, de acordo com o Comando de Sistemas Aéreos Navais dos Estados Unidos (Navair).
Esta mudança nos sistemas de catapulta deverá custar milhares de milhões de dólares, segundo Bryan Clark, investigador do Instituto Hudson, citado pelo The Wall Street Journal.
O senador democrata Mark Kelly, ex-astronauta e antigo piloto de combate naval, já criticou a decisão de Trump, que “não percebe nada do assunto”, acrescentando numa entrevista televisiva: “Nem eu me atreveria a dizer à Marinha como conceber os sistemas específicos para os seus navios”.
A General Atomics, empresa que ganhou o concurso para construir as catapultas eletromagnéticas do “USS Doris Miller”, afirmou que esta decisão de alterar o sistema “merece uma análise cuidada”.
Trump já se tinha queixado destes sistemas de lançamento em 2017, afirmando que “não eram bons” e “não tinham a potência” das catapultas a vapor.
A tecnologia de catapulta eletromagnética foi utilizada pela China no seu mais recente porta-aviões.
A França também planeia equipar o futuro porta-aviões “France Libre”, programado para substituir o “Charles de Gaulle” em 2038, com um sistema EMALS fornecido pela General Atomics.
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