O líder parlamentar do PSD garantiu esta quarta-feira que não há qualquer “controvérsia” entre o partido e o PS no que toca ao trabalho obrigatório para os beneficiários da Prestação Social Única (PSU).
“A questão é muito simples, não tem controvérsia nenhuma e basta ler a lei. É como as regras do futebol: basta conhecê-las para saber que não há como fugir a elas”, começou por dizer Hugo Soares em entrevista à CNN, num espaço dedicado ao comentário desportivo. “E eu tenho a certeza absoluta que nem o deputado José Luís Carneiro nem o deputado Eurico Brilhante Dias vão pôr em causa o que eu vou dizer. A prestação social única hoje foi aprovada, e é um grande dia para Portugal”, acrescentou.
Para o social-democrata “não há interpretações dúbias”: “A atividade solidária social mantém-se como atividade obrigatória e como condição de acesso à prestação social única”.
“Trata-se de uma singela contribuição para que as pessoas que continuam a receber um benefício que é a prestação social única, em situações muitas vezes de fatalidade ou de dificuldade se possam sentir úteis”, explicou. “Falamos de um trabalho numa junta de freguesia, falamos de trabalho numa IPSS, falamos num acompanhamento a uma consulta com um idoso que não possa ir sozinho. Trata-se de dignificar um contributo e de dar um impulso para que as pessoas possam recuperar de uma situação de pobreza para uma situação que nós queremos que seja de normalidade e que nós queremos que possa sair da pobreza”, afirmou.
E atirou ainda: “Não há dúvida nenhuma. É tão obrigatório como nós ganharmos o jogo à Colômbia!”
Recorde-se que PSD e PS chegaram a acordo quanto à PSU. Contudo, rapidamente se gerou confusão com o líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, e o líder da bancada social-democrata a afirmarem versões contraditórias no que toca ao trabalho social obrigatório.
Em conferência de imprensa, na Assembleia da República, Brilhante Dias anunciou que o trabalho social previsto na medida do Governo “deixará de ser obrigatório e será integrado num plano individual personalizado de inserção”.
Mais tarde, José Luís Carneiro, afirmou também que “tem ideia de que” a medida que estipulava 15 horas de trabalho social obrigatório para o acesso à Prestação Social Única (PSU) “caiu”.
No entanto, Hugo Soares, explicou que o acordo com o PS mantém a “atividade de solidariedade social” como obrigatória para os que estiverem em condições de a realizar – não explicando, porém, o porquê da nova designação: “atividade de solidariedade social”, que, até aqui, era designada como trabalho social.

Há acordo sobre PSU, mas PS e PSD divergem no “trabalho obrigatório”
O Partido Socialista (PS) e o Partido Social Democrata (PSD) chegaram esta quarta-feira a acordo para viabilizar a Prestação Social Única (PSU), mas as duas versões apresentadas sobre o conteúdo do entendimento geraram divergências quanto à obrigatoriedade do trabalho social.
Márcia Guímaro Rodrigues com Lusa | 19:46 – 24/06/2026



