“A nossa estratégia nesta matéria é clara: os voos na região devem estar abertos a todos, ou a ninguém”, afirmou Mohammad Mokhber, conselheiro do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, citado pela agência espanhola EP.
“Se for negada ao Irão a possibilidade de voar e de aceder aos serviços aeroportuários, nenhum país da região terá essa possibilidade”, escreveu Mokhber nas redes sociais, sem mais considerações.
O conselheiro do líder supremo avisou apenas os países da região que “o alinhamento com os Estados Unidos na implementação de políticas hostis ficará gravado na memória da nação iraniana”.
A mensagem de Mokhber foi divulgada depois de os Emirados Árabes Unidos terem suspendido os voos operados por companhias aéreas do Irão devido às sanções norte-americanas.
Os Estados Unidos colocaram sob sanções o setor aéreo do Irão no início de setembro, e advertiram as empresas estrangeiras que iriam sofrer consequências se lhe prestassem assistência.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, anunciou na segunda-feira que as empresas tinham até quarta-feira para adotar medidas em conformidade.
Também o aeroporto de Najaf, no Iraque, anunciou hoje a suspensão das ligações com o Irão, citando “diretrizes oficiais” das autoridades iranianas competentes, embora sem fazer menção explícita às sanções de Washington.
Najaf, a cerca de 160 quilómetros a sul de Bagdad, é uma cidade santa para os xiitas e local de peregrinação dos iranianos, bem como um centro regional para as companhias aéreas do Irão.
Na sequência da suspensão dos voos, a Organização de Aviação Civil do Irão ordenou a suspensão de bilhetes para a rota de Najaf e lembrou às companhias aéreas que devem devolver o respetivo valor a passageiros afetados.
Por haver passageiros retidos no Irão e no Iraque, cujo número não foi divulgado, a autoridade iraniana solicitou às companhias aéreas a realização de voos domésticos para os aeroportos fronteiriços, noticiou a agência oficial IRNA.
A aviação civil anunciou ainda que as licenças de voo doméstico necessárias para tais voos “serão emitidas de imediato e serão tomadas as medidas necessárias para a atribuição de faixas horárias nos aeroportos”.
O Iraque é um dos principais destinos das companhias aéreas do Irão, cujas ligações terrestres com o vizinho iraquiano permanecem abertas.
Além de peregrinos e estudantes, o aeroporto de Najaf é também usado por iraquianos que vão procurar assistência médica no Irão, como Haidar Mansour, que pretendia viajar nos próximos dias para um transplante renal, após três anos de diálise.
“Há vidas em perigo. É-me impossível viajar por estrada”, afirmou Mansour, 50 anos, à agência francesa AFP.
Em vez de um voo de algumas horas, os passageiros terão de empreender uma viagem por terra de, pelo menos, 12 horas, dependendo do destino.
Do outro lado da fronteira, o doutorando iraquiano Assad Jabar está retido na cidade sagrada de Qom, tendo sido recusado no aeroporto quando devia regressar hoje a casa.
Os táxis e os autocarros para chegar ao Iraque já estão “lotados e os preços estão a subir”, relatou à AFP por telefone.
O diretor do aeroporto de Teerão, Ramin Kashef-Azar, disse à IRNA que se mantinham voos de companhias iranianas para vários destinos, incluindo China, Arménia, Rússia, Sudeste Asiático e Turquia.
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