O principal suspeito do caso de Lyhanna, a menina de 11 anos encontrada morta em França no mês passado, foi formalmente acusado de violação e homicídio. Jérôme Barella, de 41 anos, já tinha sido acusado de rapto e sequestro após o desaparecimento da menina.
O homem, pai de uma amiga de Lyhanna, foi esta quarta-feira presente a um juiz de instrução pela primeira vez desde que a menina foi encontrada morta num silo agrícola, a 4 de junho.
No final deste interrogatório, Barella “foi indiciado adicionalmente pelos crimes de homicídio de uma menor com menos de 15 anos, precedido ou acompanhado de violação, e de violação de uma menor com menos de 15 anos”.
Jérôme Barella foi, além disso, também indiciado por violações de uma menor com menos de 15 anos e agressões sexuais no caso conhecido como Rosa.
Esta menina, cuja mãe tinha apresentado queixa por violação contra Jérôme Barella em agosto de 2025, sem que este tivesse sido indiciado, acusou o suspeito de a ter violado “cerca de 50” vezes, de acordo com um relatório de inspeção.
O homem já tinha sido denunciado por violação em 2017, mas as queixas foram arquivadas.
Lyhanna foi vista pela última vez no dia 29 de maio em frente à sua escola, a entrar no carro do suspeito, e encontrada morta dias depois.
O homem sempre negou que tivesse transportado a criança, mas, confrontado com as imagens de videovigilância, acabou por dizer que a tinha levado até uma piscina municipal, que estava encerrada naquele dia.
Dias após o desaparecimento, Jérôme Barella foi formalmente acusado de rapto e sequestro e colocado em prisão preventiva.
A autópsia concluiu que a menina foi violada antes de morrer, tendo sido amordaçada e tido as mãos e tornozelos algemados.
Segundo a imprensa francesa, a autópsia confirmou também que Lyhanna foi violada pelo principal suspeito do caso, Jérôme Barella, uma vez que foi encontrado o seu ADN nas partes íntimas da menina.
Ao longo das últimas semanas têm surgido revelações sobre os antecedentes criminais deste pai de dois filhos. Segundo a procuradora do tribunal de Auch, onde os casos estão a ser julgados, Clémence Meyer, o homem foi alvo de queixas em 2022 e 2025, tendo a primeira sido arquivada enquanto a investigação da segunda ainda está em curso.
Embora as deficiências dos serviços estatais ainda precisem de ser apuradas, uma fonte governamental citada pela agência de notícias francesa AFP disse que uma circular da justiça criminal que dá prioridade às vítimas menores de idade não foi “aplicada pela procuradoria de Auch” no tratamento das queixas contra o suspeito.
O caso tem chamado a atenção para uma série de disfunções dentro da aplicação da lei e do sistema judicial, segundo advogados e associações, que apontam os procedimentos lentos, as ineficiências administrativas e informações inadequadas fornecidas a vítimas anteriores.
Esta quarta-feira, mais de mil processos de pedofilia foram considerados prioritários, por os autores estarem identificados, tendo antecedentes criminais e cujas vítimas continuam a ser menores de idade.
O ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, tinha pedido a todas as procuradorias que reexaminassem todas as queixas apresentadas na sequência do caso Lyhanna.

Autópsia revela detalhes sobre morte de Lyhanna. Pais falam em “repulsa”
A autópsia preliminar ao corpo de Lyhanna, a menina de 11 anos encontrada morta em França, confirmou que a menor foi violada pelo suspeito e foi amordaçada e algemada.
Márcia Guímaro Rodrigues | 08:14 – 19/06/2026



